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Gota D’água

O Movimento Gota D’Água é uma iniciativa que pede que o Governo gentilmente pare a idéia de construir a Usina Hidroelétrica de Belo Monte. Até aí, muito bonito. Não que eu ache DEVEMOS parar com Belo Monte. Não. A gente deve discutir melhor o impacto ambiental e social de tal construção. E isso não se faz de uma hora pra outra. Em um vídeo repleto de ironia e com estrelas duvidosas como Bruno Mazzeo, Letícia Sabatella e Maitê Proença.

Primeiramente observamos que vilanizam completamente a usina. Reafirmo que é necessário debate. Não é questão de ser contra Belo Monte ou a favor. Sou partidário do debate amplo sobre o assunto. Portanto, não há que se colocar mocinho ou bandido nessa história. Coloquemos na balança o que é bom e o que é ruim. Prós e contras. Existe impacto ambiental? Sim, bem como construir qualquer outra coisa nesse mundo gera, por menor que seja, algum tipo de impacto no meio ambiente.

Outro ponto que chama bastante atenção é a indignação da “classe artística” com o uso de dinheiro público para a construção de uma usina hidroelétrica. Pois bem, se o dinheiro arrecadado de maneira voraz pelos impostos no Brasil não serve para isso, para que ele serve? Pra financiar filme engraçadinho do Bruno Mazzeo? O dinheiro da arrecadação dos impostos, além de ser para investir em saúde, educação, segurança e transporte, também serve para investir no setor energético, bem como outros setores estratégicos. Ou você acha que quando a Bíblia conta que Deus ordenou que se fizesse a luz ela está falando da energia elétrica que liga seu lindo computador para que você leia esse texto?

Belo Monte vai destruir, vai sacudir, vai abalar? Vai. Então vamos ver outras formas de energia limpa e viáveis. Sugestões concretas? Bem, o vídeo fala sobre energia eólica e energia solar. Se existe a reclamação de gastar o dinheiro público na construção de uma usina na casa dos R$30 bilhões, ninguém vai reclamar dos custos de outras formas de energia? Saiba que as duas sugestões do vídeo (que não apresenta qualquer orçamento ou proposta) tornam o valor do kilowatt muito mais caro. Ou seja, primeiro argumento, sobre os valores, foi pro espaço.

Agora vamos ao impacto ambiental e todas as frases de efeito como “seria energia limpa se fosse construída no deserto”. Belíssimo texto, parabéns. Realmente Belo Monte causaria uma tragédia em seu projeto original e precisa ser modificado, como está sendo feito. O senhor e a senhora que compartilha tal vídeo e acha que “nossa, mudei o mundo, mereço até um abraço!”, já conferiu o impacto ambiental que faz todos os dias? O pacotinho de biscoito que você joga pela janela, ou o lixo que você não separa nem entre orgânico e inorgânico, ou o carro que usa pra ir de casa pro trabalho enquanto poderia usar metrô ou ônibus? Isso só como exemplos bem simples. É a velha história de todo mundo querer mudar o mundo, mas ninguém quer lavar a própria louça.

Sem contar que eu esperava um pouco mais de criatividade, né pessoal? Esse vídeo de vocês ficou bem parecido (pra não dizer plagiado) dessa campanha norte-americana de 2008 sobre as eleições.

Por fim, o que Dona Maitê Proença acha que vai mudar no mundo, além de me tirar a vontade de almoçar, ao tirar o sutiã pra ~ficar mais confortável~?

Usina velha é que faz comida boa!

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E disse Jesus: o diabo é o pai da mentira (João 8:44)

Sou de criação evangélica, toda minha família é batista e tenho um primo teólogo, pastor, formado e doutrinado pela fé cristã batista. Curiosamente, sou gay (se vocês ainda não perceberam). A igreja não me permite manifestar minha fé e meu amor ao mesmo tempo, tão logo, manifesto minha fé de outras maneiras, baseado naquilo que acredito. E acredito, muito fortemente, que Jesus Cristo era um cara bem legal e veio a Terra pra dar tapa na cara da sociedade hipócrita que existia na época. Bem parecida com a que temos hoje. A diferença é que a lucratividade na época era com o próprio Cara lá de cima, e não com o Filho Dele. Ele veio a Terra, nos ensinou um monte de coisas e, em geral, a galera não se esforçou a aprender as suas maiores lições: amor e verdade. Para aqueles que acreditam na Bíblia, como os 15% de evangélicos que existem nesta pátria mãe gentil, esses ensinamentos deveriam se tornar uma constante. Mas não é bem assim que a banda toca.

Evangélicos até bem pouco tempo eram uma minoria da população. Ou melhor, continuam sendo, afinal, 15% não denotam uma maioria. Porém, há uns vinte ou trinta anos esse contingente era ainda menor. Com uma sociedade mais voraz, a religião se tornou uma excelente válvula de escape para muitos aflitos. Algo que se diz sempre em igrejas evangélicas é “todo crente é ex-alguma coisa”. E pode observar. É uma verdade. Todo evangélico é ex-alguma coisa. Ex-drogado, ex-bandido, ex-bígamo, ex-enfermo… A religião (incluo todas aqui, não apenas as igrejas evangélicas) funciona como um alento a um coração ferido. Lá ele sempre vai encontrar perdão àquilo que seu super-ego julga ser absolutamente cruel. É uma never ending terapia, sem a supervisão de especialistas e médicos. Os tarjas pretas são substituídos pelas capas pretas dos livros sagrados (bíblia, torá, corão, etc). É teoricamente mais barato e dura toda uma vida, com promessa de alta do tratamento após a morte. E se você pensar, em qualquer momento, abandonar o tratamento, prepare-se para todo o terror psicológico. Eu conheço bem como tudo isso funciona. Não precisa vir aqui me explicar.

Com o crescimento das igrejas e como os fiéis levam a sério a questão de FIEL, a fidelidade fica até na hora do voto e temos hoje 72 deputados federais que compõem a “frente parlamentar evangélica”, que não tem nenhuma ideologia política, apenas religiosa. São deputados de diversos partidos, esquerda, direita, centro, situação, oposição… Todos unidos por um único motivo: o amor de cristo. Vamos a parte que nos cabe nesse latifúndio: partindo da ideia que Jesus é verdade e amor, tão logo, os cristãos deste país deveriam prezar por esses sentimentos. E não é bem isso que tem acontecido por aí. Em meio a tudo aquilo que aconteceu ontem, com a bancada evangélica fazendo chantagem (que eu não sei se é pecado ou não, mas certamente é crime) tanto com ruralistas, quanto com a Presidenta Dilma, foi apresentado o material didático para o kit anti-homofobia, que automaticamente foi descartado e derrubado pela presidenta. Pois bem, agora vem o momento em que deveriamos aplicar o que diz João 8:44, onde aprendemos que o diabo é o pai da mentira. O kit apresentado pela bancada, liderada pelo senhor Anthony Garotinho (aquele que tem um monte de processos nas costas), era FALSO. Utilizaram o material de prevenção a DSTs destinado a transexuais e travestis como se fosse o kit-anti-homofobia que seria distribuído nas escolas. Criaram um factóide para prejudicar uma população que já é massacrada todos os dias. Lógico que a presidenta não é inocente na história, afinal, ela aceitou as condições da bancada como moeda de troca pelo fim do buzz que acontecia.

Aí paramos pra pensar: onde está a ética e inclusive tudo aquilo que foi ensinado na bíblia a essa gente quando estamos tratando de quebrar as barreiras do preconceito e tornando a sociedade algo mais igualitário? Em discurso liderado pelo tucano João Campos, a bancada afirmou defender os interesses de 50 milhões de brasileiros (correção ao deputado, 15% de 200 milhões = 30 milhões) e que uma minoria não poderia se sobressair sobre uma maioria. Ok, e os outros 150 milhões de brasileiros? Como ficam? Sem representação? A maioria não tem direito representatividade para a bancada? Não é do interesse dos deputados abrir o diálogo e ver aquilo que é interessante para toda a nação, sem esquecer de dar atenção às minorias como negros, mulheres, religiosos obviamente, LGBTs, deficientes e tantas outras que se misturam e formam a cultura brasileira? Ou será que a eleição só é válida para atender ao Senhor? Não seria mais fácil, então, continuar na Igreja e pregando o evangelho?

Um questionamento muito forte que tenho a todas as religiões e seus líderes religiosos: vocês sabem a origem do dinheiro de vocês? Podem comprovar a origem lícita de cada doação? Todas as igrejas, templos e outras denominações devem sim pagar impostos, como qualquer outro estabelecimento (uma vez que centros religiosos têm renda e empregam muita gente) e listar o CPF/CNPJ de seus colaboradores. Muitas igrejas são utilizadas hoje pelo tráfico para lavagem de dinheiro. Perceba que não estou falando de todas. Existem sim igrejas que são financiadas pelo tráfico. E enquanto a gente não criar mecanismos pra impedir o avanço do tráfico de nada adianta fazer campanha bonitinha. Você sabia que com pouco mais de 400 reais você abre uma igreja em cinco dias? Deus demorou seis dias pra construir o mundo. Você só precisa de cinco pra construir a sua igreja! Totalmente livre de impostos satânicos como IOF, IPTU, ITR, IPVA, ISS, Imposto de Renda e ICMS. Para a criação da igreja, você sequer precisa estudar história ou teologia, nem ter seguidores. Basta registrar uma assembléia de fundação e o estatuto social em um cartório e pagar as taxas que contabilizam o astronômico valor de R$418,42. E o governo não pode lhe negar esse “benefício”. O primeiro parágrafo do artigo 44 do Código Civil é bastante claro no que se refere a isso: “São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das organizações religiosas, sendo vedado ao poder público negar-lhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento“. E há pastor que diga que os homossexuais querem se tornar “uma raça superior”. Eu não tenho essas vantagens por amar outro homem. Pelo contrário. Só tenho prejuízo. Não tenho os mesmos direitos e muito menos essa facilidade ao abrir uma micro-empresa.

Acho curiosa a questão do porquê as igrejas gostarem tanto de agredir os homossexuais. Com tanta coisa acontecendo no mundo, transar com alguém do mesmo sexo é a maior mácula da humanidade? Se estamos falando em preservação da família, porque os nobres senhores deputados e os nobres senhores líderes religiosos não passam a utilizar o tempo e dinheiro que lhes são empregados no combate a violência doméstica, ou as drogas que desestruturam tantas famílias, ou até mesmo um pedido a todos os fiéis que doem órgãos e sangue para ajudar a família do próximo, ou quem sabe ainda pedir CPI (já que a galera gosta disso) das fronteiras, para saber de onde e como tanta droga e arma entra nesse país. Brigar na câmara por mais saúde e melhor educação, ampliação dos sistemas de ensino superior. Poderia passar um bom tempo dando sugestões do que fazer em favor da família, já que a intenção central da bancada evangélica é “proteger a família brasileira”. Mas automaticamente lembro que isso não seria tão interessante, pq uma vez que resolvemos educação, saúde, violência, trafico, problemas sociais, todos aqueles “ex-alguma coisa” que citei lá em cima deixariam de existir. Taí, prejuízo a longo prazo. Melhor nem tocar nesses assuntos.

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