Posts marcados ‘Racismo’

Pode, não pode, phode

Segundo matéria de Keyla Jimenez, da coluna Outro Canal da Folha de São Paulo, as histórias dos personagens de Insensato Coração, Edu e Hugo, bem como toda a trama ao seu redor, como auto-aceitação, aceitação parental, homofobia e união homoafetiva, serão engavetados pela Rede Globo.

Destaque para três pontos que acredito serem fundamentais nessa novela:

1) A Rede Globo convocou uma reunião com Gilberto Braga, homossexual assumido, responsável pelos maiores sucessos de audiência do canal, e tão logo, um dos autores mais rentáveis da casa, para que ele não “carregue bandeira política” e não faça apologia a necessidade de uma lei que puna a homofobia. Por que tal exigência não foi feita a Manoel Carlos às vésperas da aprovação do Estatuto  do Idoso, uma vez que o Brasil é composto por uma maioria jovem? Quando o autor do Leblon inseriu os personagem Laura e Leopoldo, que seriam infernizados pela neta Dóris em Mulheres Apaixonadas, também existia uma bandeira política, não? Quando debatemos racismo (como em Da Cor do Pecado), saúde pública (em De Corpo e Alma), tráfico e consumo de drogas (em O Clone) ou não indo tão longe assim, e utilizando a própria Insensato Coração como exemplo, o caso de abuso sexual sofrido pela personagem Cecília, que tal? Também não são bandeiras políticas? E não merecem ser debatidas e expostas ao público? Onde foi parar aquele enorme e pomposo fascículo sobre Responsabilidade Social que a Rede Globo apresenta a seus patrocinadores na hora de angariar cotas para sua programação?

2) As cenas engraçadas do personagem Roni devem continuar. Ou seja, respeitar o ser humano e mostrar a sociedade que existe um setor fragilizado e que necessita de proteção do Estado não é bom para o Brasil, mas mostrar um personagem caricato que apenas reforça o preconceito, colocando-o como objeto de escárnio como acontece desde sempre na televisão brasileira, isso é totalmente aceitável.

3) A Globo alega que a TV é um veículo de massa e precisa contemplar todos os seus públicos. Os LGBTs não estão inseridos em seus públicos? Nós não assistimos seus programas? Então, uma vez que devemos contemplar TODOS os públicos na TV, por que então a existência de programas como a Santa Missa Em Seu Lar, uma vez que nem todos os brasileiros são católicos? E por que somos obrigados a conviver com o Auto-Esporte, já que nem todo mundo se interessa e/ou tem um carro. E por que não engavetar o Mais Você, já que uma parcela da sociedade não tem nem o que comer e é obrigada a assistir Ana Maria Braga preparando seus quitutes nas manhãs globais?

Curiosamente, no mesmo dia que a matéria é públicada pela Folha, temos dois destaques sobre homofobia no Brasil:

O primeiro caso relata de um pai e seu filho que estavam abraçados em uma festa popular no interior de São Paulo e foram brutalmente agredidos por um grupo de sete rapazes que acreditavam que eles eram um casal de homossexuais. O pai teve parte da sua orelha decepada por um objeto cortante. Caso não acredite, leia aqui. Em outro relato, descobrimos que a Bahia é o estado onde mais homossexuais morrem unicamente por serem homossexuais. E, além disso, revelamos o triste dado que o Brasil é o país que mais mata LGBTs no mundo em seus crimes de ódio. E aí eu questiono: num país onde até heterossexuais são agredidos por conta da homofobia, não devemos levantar bandeira e mostrar a sociedade que existe a necessidade de respeito? E a televisão, que é o principal veículo para promoção de qualquer coisa nesse país, não tem a responsabilidade de alertar e informar seus telespectadores sobre isso?

Eu, pessoalmente, estou boicotando Insensato Coração. Forte abraço a todos os envolvidos.

42 anos de orgulho

Eu não poderia deixar passar os 42 anos do Orgulho LGBT em brancas nuvens. Desde Stonewall Inn, em 28 de junho de 1969, quando a polícia invadiu o bar e massacrou um grupo de homossexuais e transgêneros, muito foi conquistado. A exemplo no Brasil temos a recente decisão do STF sobre a união homoafetiva, os milhões de cidadãos que se movem contra o preconceito em marchas e manifestações a favor da diversidade sexual em todo o país, o reconhecimento da ex-companheira de Cássia Eller como mãe de seu filho, os avanços na mídia e no debate sobre a homofobia e, obviamente, o primeiro casamento civil homoafetivo, realizado hoje no interior de São Paulo. De 1969 pra cá muita coisa mudou para melhor, apesar dos pesares, estamos remando adiante, lentamente, mas colhendo um mundo mais justo não só para nós, mas abrindo a mente e dando voz a outras minorias. Muitos podem dizer que face ao conservadorismo protagonizado por Bolsonaros, Malafaias e, agora, Myrians, não temos o que comemorar. Mas acho que eles comemoram conosco, afinal, não teriam de onde tirar verba se não fosse pela nossa luta.

Vivemos num país onde é bonito ver dois homens brigando, mas hediondo ver dois homens se amando. Existe muito o que lutar e não podemos nos anular nos outros dias do ano. O homossexual sofre preconceito diariamente e as questões afirmativas são fundamentais para um mundo mais justo. Sonho com o dia que não teremos mais a necessidade de marchas, leis e didatismos para acolher as minorias como gays, negros, mulheres e outros. Enquanto vivermos com o pé no passado, teremos medo de buscar o que é nosso por direito no presente e pior, passaremos uma guilhotina no pescoço do futuro.

Não há religião, cultura, lei, localização ou proibição que vá impedir um homossexual de existir. Não existe essa história de “ele é gay pelas influências”. Se fosse assim, todo mundo seria heterossexual, afinal, estamos numa cultura heteronormativa e, em grande maioria, os pais são heterossexuais. Ninguém escolhe ser gay, bem como não escolhe ser hétero. Não existe uma enquete em dado momento da sua vida que você escolheu com quem transar e quem amar.

Os opositores dizem que as minorias visam criar um nicho de super-cidadãos, inabaláveis e incriticáveis. É muito confortável dizer isso quando se está inserido em uma maioria dominante. A péssima notícia que eu tenho a dar é que a vida não é justa. Para ninguém. E as minorias, independente de qual estamos tratando, tem uma carga histórica que precisa ser apagada. Não podemos menosprezar que negros não tem as mesmas oportunidades que brancos, que mulheres sofrem abusos diários por homens, que algumas religiões e culturas sofreram e ainda sofrem massacres culturais e que gays não tem os mesmos direitos que heterossexuais. Para um mundo mais justo é necessário olhar com abrangência a sociedade e atender as necessidades específicas dos movimentos sociais. As feministas queimaram sutiãs e hoje têm direitos iguais. Os negros exaltaram sua cultura e se inseriram. Os homossexuais não podem se anular por conta de um falso-moralismo.

Que todo dia 28 de junho seja dia de lembrarmos aqueles que morreram, aqueles que sobreviveram, aqueles que fizeram história, aqueles que fazem a sociedade. Que todo dia a gente possa conviver pacificamente, não importando com quem eu durmo ou quem eu amo. Eu quero ser feliz e ter minha cidadania plena e quero o mesmo para todos. Eu quero igualdade e não superioridade, nem dos gays e nem dos heteros. Não podemos viver num mundo de aceitações. Aceitar é apenas dar espaço a mostrar uma superioridade falsa. Quero viver num país onde meus filhos e seus filhos possam se confundir na multidão que constrói essa nação.

 

Pensamentos sobre a reação conservadora

Contribuição de Rafael Moreira (@pelotelefone) para o Dia do Orgulho LGBT

Em meio a tanta confusão, e muita bobagem dita por Bolsonaros, Malafaias e Myrians, achei que valia a pena fazer alguns apontamentos sobre as bobagens que vem sendo ditas e repetidas, especialmente pela bancada autodenominada evangélica.


Sobre a decisão do STF

Muito tem se falado sobre a decisão, o Malafa vociferando que é inconstitucional e vem a cereja do bolo com o projeto do Deputado João Campos de um decreto legislativo que tem por objetivo sustar os efeitos da ADIn. Mas vamos por partes.
Como o direito não faz parte da educação do brasileiro (o que é uma pena e tema para outros textos), somente quem se aventurou nesse curso consegue (ou deveria conseguir) entender o alcance da decisão. A tal decisão, diga-se, unânime, se baseou no artigo primeiro da Constituição. Isto é (basta ler lá) um FUNDAMENTO da República brasileira, no caso a dignidade da pessoa humana (é redundante, mas tá escrito lá, fazer o que). Não foi com base no art. 226, que trata da família. Assim, o STF, a quem cabe defender a Constituição, entendeu que não é possível que um Estado que defenda a dignidade negar direito aos casais homoafetivos. Em outras palavras, é uma decorrência direta dos valores de base do país reconhecer que cidadãos homossexuais são tão cidadãos quanto os demais. Parece óbvio, e realmente é, mas os ranços de preconceito forçaram a tal ADIn.
Aí me vem um tal Deputado João Campos que, segundo consta, é delegado de polícia e bacharel em Direito (assim diz ele) e apresenta um projeto de decreto legislativo para sustar os efeitos da decisão do STF. Bom, acho que ele ficou na constituição de 1967 e não leu a de 1988. Isso porque o art. 56 da Constituição, que prevê o decreto legislativo, fala que ele poderá ser usado para sustar efeitos de atos normativos do Poder Executivo, não fala nada de Judiciário. Antes, os artigos 100 e 101 deixam bem claro que a palavra do STF é final e não é contestável ou anulável pelos outros poderes. O STF é sim nosso órgão máximo.
Ou seja: o tal projeto do Deputado João Campos NÃO EXISTE JURIDICAMENTE. O máximo que poderia acontecer, num caso raríssimo de surto coletivo, é o próprio STF declarar o ato inexistente (o que até seria lindo).
Além disso, como a decisão foi com base no art. 1º, nenhum projeto, mesmo que de emenda à Constituição, poderá mudar seus efeitos, pois a dignidade humana não pode ser riscada da Constituição.
Portanto, a não ser que os ditos evangélicos resolvam dar um golpe de Estado, pode correr e oficializar no cartório a sua união porque ela vai valer, por mais que o Malafaia não queira (talvez eu não devesse ter dado a idéia do golpe).
E esse post ta muito grande e eu só comecei. Mal de advogado, tenham paciência.

Sobre o PL 122
Aí começa mais um festival de bobagem, que chega a dar aflição a qualquer pessoa alfabetizada e que seja capaz de um mínimo de raciocínio abstrato. Não vou nem perder meu tempo (e o seu, querido leitor) sobre a óbvia constitucionalidade do projeto. Vou me remeter apenas a uma questão e deixar a conclusão pra vocês: A lei vigente, que ficou conhecida como Lei do Racismo (Lei 7.71/89) mas pode ser melhor chamada de lei contra a discriminação, prevê as seguintes condutas como crime:

“Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.”
Acompanhe comigo: uma das condutas criminosas é induzir ou incitar a discriminação ou preconceito contra RELIGIÃO. Olha, quem conhece um evangélico, um pastor ou já perdeu seu tempo ligando a TV nas madrugadas da televisão sabe muito bem que um dos esportes preferidos dos pastores evangélicos é divulgar os males das religiões espíritas ou de origem africanas, agregando todas sob a estigmatizada alcunha de macumba (que são também minorias religiosas). E mais, não sou poucos aqueles que incitam a chamada “guerra espiritual” contra pais de santo. E, no entanto, eu nunca vi nem ouvi que um pastor sequer tenha sido denunciado por incitar a discriminação contra o candomblé, por exemplo. Ninguém tem dúvidas de que isso diz respeito à profissão de fé deles.
Então, eu não consigo entender o medo que está sendo propagado pelas lideranças evangélicas que eles serão perseguidos (mentira que entendo sim, mas vamos fingir que não). Se ainda levarmos em conta que a recente emenda incluída no projeto pela Marta Suplicy, realmente não há como entender que dizer que ser gay é pecado viraria crime. Sabendo que provavelmente nem o Malafa leu o projeto, tirem suas conclusões.

Notinha sobre a Myrian
Bom, e o assunto da vez é a Myrian Rios que abriu o esgoto e saiu falando todo tipo de bobagem no plenário da Assembléia do Rio. Acho até engraçado, Myrian defendendo o direito de discriminar. Saibam que a babá lésbica dela poderia entrar com uma ação de dados morais na Justiça do Trabalho, onde conseguiria até a reintegração no emprego, tendo em vista que sua demissão foi motivada por discriminação.

Enfim, gente, votem melhor, por favor. É muita perda de tempo com gente burra.
(e procurem as leis no site do Planalto ou do Senado)

Myrian Rios, PEC 23 e Pedofilia

DE-PU-TA-DA

Teoricamente vivemos em um Estado Laico. Teoricamente. Durante o fim de semana rodou um vídeo onde a ex-atriz e atual apresentadora e deputada estadual Myrian Rios (PDT-RJ) se manifesta contra a PEC 23, que visa acrescentar orientação sexual no rol das vedações a discriminação da Constituição do Estado do Rio de Janeiro, bem como o racismo e a intolerância religiosa. A deputada diz-se não-homofóbica, porém, diz claramente que não gostaria de empregar um funcionário homossexual. Vale ressaltar que Myrian Rios, eleita pelo excesso de votos do também apresentador Wagner Montes, é missionária e fervorosa integrante do movimento da Renovação Carismática. Palavras de Myrian Rios:

Não sou preconceituosa e não discrimino. Só que eu tenho que ter o direito de não querer um homossexual como meu empregado, eventualmente. Por exemplo, digamos que eu tenha duas meninas em casa e a minha babá é lésbica. Se a minha orientação sexual for contrária e eu quiser demiti-la, eu não posso. O direito que a babá tem de querer ser lésbica, é o mesmo que eu tenho de não querer ela na minha casa. São os mesmos direitos. Eu vou ter que manter a babá em casa e sabe Deus até se ela não vai cometer pedofilia contra elas, e eu não vou poder fazer nada”, disse. “Se eu contrato um motorista homossexual, e ele tentar, de uma maneira ou outra, bolinar meu filho, eu não posso demiti-lo. Eu quero a lei para demitir sim, para mostrar que minha orientação sexual é outra”, completou, sem esquecer de citar passagens bíblicas e pedir que o Espírito Santo de Deus jogue fogo santo naquela câmara laica.

Ironia é uma integrante da Igreja Católica, onde registramos os mais hediondos casos de pedofilia, generalizar os homossexuais como pedófilos latentes. E, partindo do princípio Myrian Rios de lógica, eu posso, caso queira, não contratar e não receber em minha casa negros ou religiosos, por exemplo, afinal, eles poderiam eventualmente ensinar coisas que não quero aos meus filhos. O perigo que seria eu contratar uma babá católica, por exemplo. Ela ensinaria aos meus filhos coisas que eu não concordo e eu acho que tenho o direito de ser preguiçoso e não explicar certas coisas aos meus filhos e culpar sempre a babá por isso. Eu também tenho o direito de negar emprego a um negro. Não tenho um motivo claro, mas se Myrian Rios acredita estar no direito de demitir ou não contratar um homossexual pelo simples fato de não ser da mesma orientação sexual que a sua, eu posso barrar um negro por ser de uma etnia diferente da minha, não? E como os direitos devem ser iguais para todos, não deve existir qualquer problema em agredir uma mulher fisicamente, afinal, ela é uma pessoa como qualquer outra e essa Lei Maria da Penha vai contra a constituição. Por que deveriamos proteger uma minoria?

A igreja católica e seus praticantes dizem-se contra a prostituição, mas a partir do momento que acreditam ser justificável demitir um funcionário ou não empregar alguém por sua sexualidade, abrem as portas para tal prestação de serviços. Uma grande parcela de travestis e transexuais enveredam pela prostituição não pelo prazer, mas pelo preconceito, por ser a última alternativa de sobrevivência com o mínimo de dignidade. Enquanto deixarmos que religiões interfiram no Estado, estaremos presos ao século XV e jamais seremos um país que valoriza os direitos humanos. Associar a pedofilia, uma prática abominável e criminosa a qualquer forma de sexualidade é algo que nos remete a quão retrógrada está a mentalidade dos nossos representantes. Em um ano em que a ONU coloca a homofobia como uma das bandeiras a serem combatidas no mundo o Brasil vai na contra-mão da sociedade e massacra novamente uma parcela da sociedade, como fez tantas outras vezes. Se for por estastísticas, senhora Myrian Rios, existe muito mais risco de um heterossexual ser pedófilo do que um homossexual, face que quase 80% dos casos de pedofilia no mundo são praticados por pessoas exclusivamente heterossexuais. Julgar uma pessoa unicamente pela sua sexualidade seria o mesmo que menosprezar um funcionário por ser negro ou oriental, desqualificando totalmente o seu currículo. O que queremos é uma sociedade justa para todos. Um mundo sem diferenças. Por que um evangélico pode denunciar abusos contra sua fé (algo que ele escolheu, pois sim, religião é um escolha diferentemente da sexualidade que não importando qual seja, é algo inerente ao ser humano, ou seja, nasceu assim)? Com linhas de racionício tão ultrapassadas muito em breve o negro não terá mais alma, a mulher deverá voltar a submissão e o diferente será queimado em nome de Cristo. Cristo este que hoje deve estar pensando: vocês estão fazendo tudo errado. Exatamente o contrário do que preguei.

Não tenho nada contra gay, inclusive eu tenho um amigo que é viado e tals


Nenhuma frase pode ser mais imbecil que “não tenho nada contra gay, inclusive tenho amigos gays e…”, por que você prova sim que tem algo contra gay, uma vez que você rotula esse ou aquele cidadão face a quem ele ama. Essa frase de pseudo-igualdade não te torna menos intolerante. Principalmente porque essa frase normalmente é seguida por um “mas eu acho” e descamba todo o texto. Normalmente a frase é “não tenho nada contra gay, inclusive tenho um amigo assim e trato de igual, sabe? Mas acho que essas leis a favor deles estão criando uma ditadura gay, vocês não acham?”. Exemplo muito bonito desse tipo de pensamento é esse maravilhoso texto do Vereador Paulistano Carlos Apolinário do DEM (nenhuma surpresa, não?) que traz quatro perguntas que gostaria de responder. Posso? Obrigado.

1) É preciso, para ser gay, colocar uma camiseta com a inscrição no peito: Sou gay?

Claro que não. Da mesma maneira que nenhum evangélico precisa usar camisa do Smilinguido ou “Exército de Cristo, Aliste-se já!”, ou os católicos colocarem adesivos “tudo com jesus, nada sem maria” para se mostrarem cristãos. Pensando desta maneira, o nobre vereador poderia criar um projeto de lei onde todos receberiam camisetas brancas para uniformizar a sociedade. Essa liberdade de usar uma camisa com inscrições tem que ter um fim. É o tal orgulho que as pessoas pregam. Um absurdo. Onde já se viu, orgulho de ser algo.

2) É preciso ir a um canal de tevê ou a uma revista e dizer: Sou gay?

Claro que não. Da mesma forma que não é necessário ir a um programa de televisão evangelizar.
3) É preciso, para ser gay, ir a locais públicos e dar beijo na boca?

Eu sei que não é bacana responder uma pergunta com outra pergunta, mas: Para ser um homem hétero é necessário ver uma mulher na rua e chamar de gostosa? Ou é necessário dar as mãos num restaurante durante um jantar romântico com sua esposa? É necessário abraçar quem você ama em público?
4) Para ser gay, é preciso fazer uma declaração pública: Sou gay?

Bem, você só é gay, hétero, bissexual, assexuado ou qualquer outra nomenclatura que o valha depois que você, em algum momento da sua vida, declara que é assim. Você pode declarar tanto subindo num palanque ou dando um beijo em alguém.

Meu único questionamento ao vereador Carlos Apolinário é: liberdade é seletiva?

O vereador em questão ainda é responsável (como tantos outros engraçadinhos) em fazer o achincalhe dos direitos humanos criando a proposta do “dia do orgulho hétero”. O Orgulho LGBT não é uma afronta ao heterossexuais. É apenas uma demonstração que nós existimos e merecemos, assim como heterossexuais, todos os direitos previstos. Nunca vi um heterossexual sendo expulso de um lugar por beijar alguém do sexo oposto, ou ter seu direitos negados por isso, ou precisar esconder de sua família que é heterossexual. O Orgulho LGBT é uma forma de reafirmar que não precisamos viver em guetos e queremos nos inserir na sociedade de forma plena, sem diferenciação. Eu entendo perfeitamente que o objetivo do Orgulho LGBT foi bastante esvaziado, principalmente pela falta de objetivo político daqueles que lotam as Paradas e Marchas (mas isso é assunto pra outro post durante a semana). O foco aqui é que existe uma minoria oprimida e quer ser representada e quer ter voz, mostrar-se a sociedade e ganhar o espaço que é de direito. Não se cogita fazer um Dia do Orgulho Branco ou a Marcha Pelo Dia Internacional do Homem. As minorias lutam pelo seu reconhecimento e pelo fim do massacre cultural que as maiorias impoem há anos, décadas, séculos. Bem como existe a Marcha pra Jesus, e tem seu valor e seu significado que não devem ser menosprezados por qualquer cidadão, o Orgulho LGBT também não deveria.

O grande celeuma que estamos criando com esses embates ideológicos extremistas, tanto do lado dos conservadores e fundamentalistas religiosos quanto dos militantes LGBTs cegos por um discurso, é uma rixa que não é saudável para o Brasil e mina o debate da forma mais anti-democrática possível. Temos que conversar de maneira franca, honesta e reta para chegarmos a acordos. Ninguém consiguirá absolutamente nada com dedos na cara.

Kit anti-homofobia: tem, mas acabou.

Sou eleitor da Presidenta Dilma. Tenho bastante orgulho de ter transformado uma torturada pela ditadura militar na primeira presidenta do Brasil. Foi bonito ver a história se construindo e ver como o retrocesso filosófico representado por José Serra caiu por terra. Votei em Dilma, primeiramente, por ela representar a continuidade de um projeto que estava (e está) dando certo. O Brasil melhorou – e muito – nos últimos oito anos. Não adianta bater na tecla de “mas o governo é corrupto”, por que o governo FHC, Itamar, Collor, Sarney etc também sofreram seus duros golpes de maracutaia. Não seria o governo petista que passaria incólume a esse momento desagradável para a democracia. Reconheço o trabalho do governo Lula, continuado por Dilma. Não poderia ser egoísta e votar unicamente pensando nos meus interesses. Sei o quanto é importante para tantos as evoluções que tivemos e isso me faz muito orgulhoso de ter votado em Dilma Vana Rousseff. Duas vezes.

Óbvio que política é a arte de fazer alianças e ceder quando necessário. Não se governa sozinho e a campanha presidencial de 2010 foi uma das mais sujas de todas. Quando temos como tema principal durante a campanha a legalização do aborto (ou sua descriminalização) e o principal cabo eleitoral se torna Deus, alguma acontece no coração desse lindo Estado que se diz laico. Pois bem. Os dois candidatos assinaram acordos com evangélicos, católicos, espíritas, judeus blablabla de religiões e todo mundo firmou aquela amizade bonita. Quem tem o mínimo de visão sabia, de longe, que isso não daria muito certo.

Voltemos para 2011 (o ano que a Terra parou). Em menos de vinte e quatro horas tivemos dois episódios deprimentes em Brasilia: primeiro a bancada evangélica (ou “frente parlamentar evangélica”, como se auto-intitulam) decidiu fazer um acordo com a bancada ruralista na câmara dos deputados para, quem sabe assim, conseguirem a derrubada da PLC 122 (criminalização da homofobia). Resultado favorável aos ruralistas, todos aqueles que cometeram crimes ambientais serão anistiados e uma série de reformas questionaveis numa sociedade que cada vez mais busca a sustentabilidade foram aprovadas. One step back. Ou seja: 72 deputados, para manter o discurso deturpado sobre a PLC 122, reclamando a liberdade de expressão, como se o texto não tivesse sido revisitado propondo alterações favoráveis ao fundamentalismo cristão, decidiram que era hora que é queima de estoque de florestas e mananciais. BORA GASTAIRE GALERA! Ando sonhando com o dia que a Ricardo Eletro vá fazer uma liquidação de bom senso pra ver se essa gente compra algum. Vender o país em nome da fé. Great!

Em seguida, em meio a ressaca da porrada que o governo federal (contrário a reforma florestal), alguns deputados aproveitaram a fragilidade que vive o Governo Federal nas últimas semanas para chantagear a Presidenta Dilma. Ou ela boicotava o kit anti-homofobia*, ou a câmara dos deputados convocaria uma CPI para investigar o enriquecimento de Antônio Palocci, ministro da Casa Civil. Observem o grau de gravidade disso:

1) Palocci pode ter envolvimento com algo ilícito, porém nada ainda foi provado. Por mais que existam motivos para desconfiança, ninguém se pronunciou. Nem mesmo o governo, que erroneamente está se blindando para encobrir o caso e proteger a imagem. O mais certo seria um pronunciamento oficial sobre o caso. Porém, nada disso foi feito;

2) A bancada evangélica, que prega a moral e os bons costumes na terra, abre mão de investigar um suposto roubo (lembrando que “não roubarás” é um dos 10 mandamentos) em prol de manter milhares de homossexuais e transgêneros sofrendo bullying nas escolas;

3) Torna-se preferivel atender as chantagens de um grupo representante de uma minoria (porém barulhenta) face a omissão de uma investigação necessária para acalmar os nervos da população;

4) Ou seja, só se trabalha em prol do país, visando questões vitais como meio ambiente e contas públicas, quando temos o artifício da chantagem e da troca de favores. Se for pra ser assim, vamos dissolver a câmara e instituir um regime teocentrista como acontece no Oriente Médio;

4) Ir em desacordo com um material desenvolvido e aprovado com ajuda da UNESCO em prol dos direitos humanos é absolutamente normal. Ruim é ensinar a igualdade nas escolas;

5) Ignorar completamente o discurso de posse e de candidatura, onde os direitos humanos seriam privilegiados.

É algo tão incabível, que eu poderia passar meu dia listando os absurdos. Pois bem, além de tudo isso, uma questão importante a ser levantada é: o Brasil hoje vive uma cruzada anti-bullying. Um trabalho árduo e louvável. Por que a homofobia, uma das formas mais perversas de bullying, não deve ser tratada nas escolas? Tratar da questão da homofobia não exclui o bullying racial, de recorte de gênero, social, físico ou qualquer outro. Apenas complementa. O material desenvolvido pelo MEC, com auxílio de ONGs e orientado e aprovado pela UNESCO, visa a qualificação dos profissionais de ensino público no Brasil. O material é sério e não uma série de filmes pornôs só para baixinhos. É educar primeiramente os professores sobre as questões de sexualidade. Nesse ramo entra muito mais que educação. É algo de saúde pública que está sendo abandonado. Quantos jovens homossexuais e transgêneros se suicidam neste país por não aguentarem a pressão do bullying nas escolas? Você sabia que 90% do público transgênero abandona a escola, o que incide diretamente na prostituição (muitas vezes, infantil)? O intuito do kit-anti-homofobia não é aliciar menores ou fazer apologia a homossexualidade. É uma muleta aos profissionais para termos uma educação mais igualitária e social. O material foi desenvolvido para o ensino médio, o antigo segundo-grau. Não para crianças. Estamos falando de/com uma geração extremamente sexualizada desde muito cedo e essa geração deve saber com clareza sobre sexo, não importante sua orientação sexual. Concordo que os vídeos são péssimos. As produções são precárias (salvo o filme lésbico, que achei sutil, delicado e pontual). Não gosto dos roteiros e da estética. Não pela agressividade ou ousadia. Por achar que infantiliza, no sentido de tornar débil, uma questão que é mais madura e voltada a uma outra idade. Porém esses vídeos produzidos pelas ONGs a pedido do MEC não são para exibição para crianças de sete anos de idade. São mais uma muleta ao professor. Em caso de algum incidente de homofobia, temos um material a ser trabalhado.

Caso a Presidenta falasse para rever algum ponto do material que ela estaria em desacordo, como pronunciaram sobre seu futuro veto a reforma do código florestal, eu concordaria. Deve existir debate. Tanto na agenda ambientalista quanto dos direitos humanos. Mas utilizar gente como moeda de troca de favores? Não, né Presidenta? Por favor, me faça continuar orgulhoso do meu voto.

* Para entender melhor sobre o kit anti-homofobia, colo aqui a explicação da Carta Capital sobre o assunto, colocando meus comentários em cinza nos parenteses ao lado:

Destinado ao Ensino Médio, (ou seja, não estamos tratando de crianças, mas de adolescentes com mais de 14 anos) o kit é composto de caderno, pôster, carta ao gestor da escola, seis boletins (boleshs) e cinco vídeos. “É um material para a promoção dos direitos humanos, com o objetivo de fazer da escola um espaço de todas as pessoas, onde se possa aprender a conviver com a diversidade”, justifica Maria Helena Franco, uma das coordenadoras de criação do kit de material educativo. Considerado peça-chave do kit, o caderno é um livro de 165 páginas, no qual o educador (vale repetir: o educador, não o aluno) encontra referências teóricas, conceitos e sugestões de atividades e oficinas para se trabalhar o tema da diversidade sexual nas escolas. “O caderno ensina como fazer um projeto político-pedagógico a ser assumido pela escola como um todo sobre esse enfrentamento da violência homofóbica”, conta Maria Helena. Escritos em linguagem jovem e acessível, os boletins seriam distribuídos entre os estudantes e também tratam da temática da diversidade sexual, com jogos, depoimentos e sugestões de filmes (ou seja, atividades escolares, como temos atividades que tangem ao racismo, a misoginia, a intolerância religiosa e tantos outros temas).

Entretanto, o objeto de maior polêmica é a parte audiovisual do kit, que inclui três pequenos vídeos produzidos especialmente pela ONG Ecos, que trabalha com o tema desde 1989. Produzidos com diferentes estéticas – teledramaturgia tradicional, animação de fotos e desenhos – os vídeos abordam de forma coloquial temas específicos como lesbianidade, transexualidade e bissexualidade. “São temas muito estigmatizados e pouco compreendidos”, explica Vera Lúcia Simonetti Racy, uma das coordenadoras da criação do kit do material educativo.

Criado por uma equipe multidisciplinar, o kit completo levou cerca de dois anos para ser pesquisado, construído e validado. Apenas o roteiro de um dos filmes, sobre o namoro de duas meninas, demorou oito meses para ser aprovado.

Ousada e polêmica, a proposta do material educativo atende a uma demanda das entidades que lutam pelos direitos LGBTs e também dos educadores – que não encontravam subsídios para trabalhar o tema em aula – além de estar articulada com políticas públicas de combate à homofobia de maneira geral. “O que a gente quer é que o professor esteja atento a essa situação de homofobia. A escola precisa ser um espaço de respeito e de formação cidadã.”, conclui Carlos Laudari, presidente da ONG Pathfinder.

Esse liberalismo não tem limites!

No post sobre Jair Bolsonaro recebi uma quantidade incrível de comentários. Inclusive agradeço imensamente pelo barulho feito. Ficamos entre os 100 posts mais lidos no mundo (no mundo de WordPress, mas ainda é um mundo). Nós ficamos. Todos nós que não suportamos essas manifestações de preconceito. Aprovei todos que recebi, salvo os SPAMs.  Hoje, 31 de março de 2011, recebi este comentário de uma senhorita chamada Samantha. Não faço ideia de quem seja, mas achei bastante curioso seu apontamento sobre Jair Bolsonaro. Sinceramente não entendi se ela foi irônica num nível tão absurdo que eu não alcancei (então, meus parabéns) ou se foi apenas uma gota no oceano de 120 mil votos do futuro ex-deputado. Gostaria de compartilhar com vocês:

“Bolsonaro expôs a opinião dele, assim como vocês são sempre tão vocais na expressão de seus direitos. E outra: Se não quer ouvir, NÃO PERGUNTE!!! Graças a Deus ainda moramos num país onde se pode criticar e ter opiniões. Na sua cartinha você acusa o Deputado de “nazi-fascista” mas quem está impondo uma censura de opinião é você, meu caro.

Um político expressa a sua opinião e o rebuliço está formado. Tenha santa paciência!!! Se bobear, é capaz até de isso gerar uma revolução! Agora: cadê essa mobilização quando Mensalões são desmascarados? Quando qualquer tipo de corrupção vem á tona? Pelo menos nunca ouvi desse Deputado (Bolsonaro) estar envolvido nos escândalos que REALMENTE definem o caráter e a podridão da política brasileira.

Olha, vocês que me desculpem, mas pra mim, o mais triste disso tudo é ver como o homossexualismo tem se tornado algo tão normal, tão natural, tão correto. A IMPOSIÇÃO da aceitação desse desvio sexual especialmente pela mídia etc, está cada vez maior e isso é realmente MUITO triste… Ainda não tenho filhos, mas temo pelo mundo em que eles viverão. Pra onde irão os valores de FAMÍLIA -> PAI e MÃE (MACHO E FÊMEA) e filhos??

Meu Deus…. Ainda bem que ainda temos alguma representação resistente à esse liberalismo sem limites. É o mundo chegando no fim MESMO!!!”
Ok, então vamos por partes. É muita informação reacionária pra pouco parágrafo.

Primeiramente, muito obrigado por vir até meu blog e deixar tão amável comentário. Já pode se orgulhar e colocar no currículo. Sim, Bolsonaro tem todo direito a utilizar de sua opinião, por mais equivocada que seja, da mesma forma que eu tenho direito a me expressar sem sua interferência. Se o Brasil hoje é um Estado democrático, onde todos podemos expressar nossas opiniões, não agradeça a seu candidato Jair Bolsonaro. O rapazinho não estava do lado da liberdade de expressão em 1968, quando foi instaurado o AI-5. Há que se lembrar que a televisão no Brasil, não sei se é de seu conhecimento, é uma concessão pública. Ou seja, mais um fator pesando contra o ex-militar. Isso sem contar o poder de penetração de algo publicado numa emissora de TV versus algo escrito num blog gratuito como o meu. Isso sem contar que eu tenho a obrigação moral, como eleitor brasileiro, de fiscalizar o trabalho dos políticos do Brasil. Jair Bolsonaro falou algo que me ofendeu, não apenas quanto a homossexualidade, pois sempre soube de sua visão retrógrada e nazi-fascista (continuo sustentando minha opinião), mas sua declaração misógina e racista. Obviamente Jair Bolsonaro, num programa de televisão, tem muito mais repercussão do que este pobre blogueiro.

Não podemos criar um reboliço em cima da opinião de um politico? Temos que nos calar e engolir a seco todo tipo de absurdo? Quem está censurando quem aqui, minha nobre comentarista? Eu, por expressar minha indignação face às declarações de Jair Bolsonaro, ou você, por recriminar minha opinião? E nem precisa dizer que estou censurando sua opinião com este texto. Muito pelo contrário. Estou dando a você um destaque que não ofereci a qualquer outro comentário e estou expondo minha opinião, afinal, meu direito.

Eu acharia excelente caso esse comentário do Bolsonaro gerasse uma revolução. Não. Pensando bem, isso não geraria uma revolução. A revolução já está acontecendo e você não percebeu. Isso sim é revolução. Dar voz a qualquer imbecil, como eu. O que Jair Bolsonaro propõe não é revolução. É ditadura. O ilustre Deputado Federal propõe, inclusive, a esterelização das classes mais baixas. Revolucionário seria dar dignidade a essa gente, como o Governo Lula, tão criticado por seu “Bolsa Familia”, que por mais que você direitista odeie, tirou milhões de pessoas da completa miséria. É o ideal? Não. Acredito que não. Mas todo brasileiro tem direito a dignidade, independente de sua condição social, etnia, cultura, orientação sexual, religião e outras coisas que usamos pra separar uns dos outros como se fossemos coleta seletiva. Quando vamos compreender que, por exemplo, antes de ser branco, gay, obeso, neto de nordestino, agnóstico, estrábico e fumante, sou brasileiro, sou humano, sou digno de respeito? Respeito e igualdade vão muito além de setorizações. Eu não preciso ser negro para me revoltar com um ato racista como do Deputado Jair Bolsonaro. Eu não preciso ser judeu para me revoltar com o genocídio. Acima de qualquer coisa prezamos a liberdade. A própria bíblia, se não me engano, cita algo sobre Livre Arbítrio, não?

O brasileiro médio tem uma incrível mania de justificar um erro com outro. Aquela famosa máxima do eleitor malufista que diz “rouba, mas faz”. Corrupção é crime? Sim. E acho que todos se revoltaram o bastante com o mensalão em sua época e o debate foi bastante amplo. Agora é hora de pedir o julgamento. Muitas das acusações não foram comprovadas, mas isso não faz o crime ser menos feio. Todo corrupto deve ser julgado e condenado, como todo brasileiro que comete qualquer tipo de crime. Inclusive o crime de racismo. Não é porque Jair Bolsonaro não tem envolvimento comprovado com algum esquema de corrupção que ele se torna invencível e digno de falar todo tipo de asneira. Como se roubar fosse um crime maior que matar. Pois preconceito mata. Basta ver as tantas manifestações de homofobia e racismo que temos nesse país onde jovens são assassinados brutalmente por outros jovens neo-nazistas que espancam até a morte unicamente porque fulano “é de cor” e beltrano “parece viado”. A quem interessa com quem eu durmo e/ou pretendo constituir familia? O que me torna superior a uma mulher negra? Ser preconceituso define tanto o caráter de alguém quanto ser ladrão. Ambos são criminosos.

É triste mesmo ver como a homossexualidade (nunca homossexualismo, tá bom, amor?) tem se tornado algo normal e aceitável. Acho mesmo um absurdo. Por que isso é completamente normal e aceitável e já deveria ter se tornado normal e aceitável há muito tempo. Ou melhor, não existe qualquer razão lógica para o amor entre duas pessoas ser considerado anormal e inaceitável. Não existe imposição quanto a aceitação da sexualidade alheia. É algo alheio a você. Você não precisa nem tomar conhecimento. Muito triste mesmo é ver uma pessoa se limitar a seu mundo umbilical.

Sorte da senhorita que não tenha filhos. E espero que não tenha. Não gostaria de ver sua filosofia ser propagada, mas como nada posso fazer para evitar, afinal existe aquele livre arbítrio que citei e a lei proposta por Bolsonaro para a esterilização ainda não foi aprovada, anuncio que existe uma enorme, gigantesca, nababesca probabilidade do seu filho fazer você rever seus conceitos arcaicos. A próxima geração vem pra quebrar conceitos da nossa geração. E todo turrão tem um “filho problema” para amargar a família. Você não fugirá a regra. Até seu ídolo tem a decepção da família pelo que andei apurando, mas não posso jogar bosta no ventilador por responsabilidade jurídica.

É um pensamento muito mesozóico qualificar o ser humano como macho e fêmea. Não somos bichos. O cristianismo prega que não viemos dos macacos, tão logo, não somos macho e fêmea. Somos racionais e não animais que fazem sexo unicamente pra reprodução. A maioria faz sexo por oportunidade (quanto tem uma oportunidade, vai lá e faz, sabe-se lá quando teremos outra, não é mesmo?). Se fossemos meramente macho e fêmea fariamos sexo pra reprodução e estariamos até hoje arrastando mulheres pelos cabelos. O conceito de amor é algo criado por nós. Acho impressionante alguém que diz que Deus é amor pregar contra o amor. É como lançar bombas pela paz. Você pode até basear sua homofobia em escrituras bíblicas, mas releia todos os testamentos (são quatro, não precisa de muito tempo pra ler) e você perceberá que Jesus Cristo, o filho de Deus, aquele que veio a Terra para nos salvar, em momento algum recrimina a homossexualidade. Todas as citações a homossexualidade vem em livros que não contam com esse feat. Jesus Christ. É lógico que a Igreja, seja ela qual for, jamais “permitirá” a homossexualidade. Não é lucrativo. Aprenda que gente é investimento a longo prazo. Quanto mais gente no mundo, mais renda qualquer instituição terá, seja uma igreja ou uma padaria. Se homossexuais teoricamente não podem ter filhos (como se adoção e inseminação artificial não fossem possiveis), tão logo não gerarão renda futura, e automaticamente, essa ou aquela instituição deixará de se enriquecer. Não parece óbvio? Este motivo também se aplica a métodos contraceptivos. Não é Deus no comando. É dinheiro.

Há algum tempo era impensável existir religião, em seguida tornou impensável que existisse mais de uma religião. Muitos países ainda vivem assim, sem o respeito a religião do outro. Basta ligar qualquer noticiário mequetrefe.  Acredite se puder, teve época que quem dissesse que a Terra é redonda ou que o Sol é o centro do universo custaria a vida. Houve período que o cristianismo matava em nome de Deus. Lembre-se que até algum tempo atrás, o que historicamente significa ontem a noite, negros não eram considerados sequer gente. Índios também não. Mulheres não tinham qualquer tipo de direito e eram tratadas como uma sub-espécie humana. Acredite, nos padrões de família que tinhamos, mulheres não trabalhavam, eram completamente submissas e nem sequer tinham direito ao voto. Esse liberalismo não tem limites mesmo, né? É o fim do mundo mesmo!

Obrigado pela visita ao meu blog, volte sempre e me dê mais pautas deliciosas como essa. Atenciosamente, a Gerência.

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