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Formadores de falta de opinião

Ontem estava sem fazer nada em casa (vida de desempregado é assim mesmo) e vendo um pequeno quebra-pau entre a minha linda Lele Siedschlag (sempre me enrolo pra escrever o nome dela) e uma pessoa sem qualquer importância. Tudo se deu por algum mal entendido e o rapaz proferiu uma frase que me martelou, apesar da quantidade absurda de erros gramaticais em menos de 140 caracteres: VOCÊ TEM A OBRIGAÇÃO DE SER CORRETA PORQUE É UMA FORMADORA DE OPINIÃO.

Wait! Por que Dona Alessandra é uma formadora de opinião? Ok, ela tem um blog bacanudo, trabalha no R7, é jornalista (das boas, com diploma e tudo), mas isso não a qualifica como “formadora de opinião”. Não que eu desmereça seu trabalho, em absoluto, mas o que leva uma pessoa a ser “formadora de opinião”?

Todos sabemos o que é um “formador de opinião” (se você não sabe, apenas balance a cabeça concordando), e todos sabemos também da sua importância numa sociedade. O que leva a necessidade de um formador de opinião é o que me intriga. Por que hoje, em 2011, precisamos de pessoas que demonstrem sua opinião para que possamos absorver algo e tomar partido? É sério que não podemos compartilhar de opiniões próprias?

Estamos na era da comunicação. Qualquer um é um objeto transformador e emissor de informações e opiniões. Não dependemos mais de comentários ácidos e protestantes desse ou daquele cara para formar aquilo que achamos. O ser humano é formado pelos seus achismos. Eu tenho a minha opinião, você tem a sua. Podemos trocar opiniões e pronto. Temos dois pontos de vista sobre o mesmo assunto. Posso mudar meu ponto de vista e você também. Mas isso não significa que eu tenha que esperar aquilo que um ser superior, o “formador de opinião”, diga para que eu estabeleça o que eu acho desde a economia brasileira até as razões que levam Angela Bismarchi a fazer tantas cirurgias.

A necessidade do “formador de opinião” se dá numa sociedade preguiçosa. Quando temos preguiça de ligar os pontinhos, conectar nossa lógica e criar uma ideia, uma opinião, a gente recorre ao “formador de opinião” para parecer um pouco menos burro. O mais engraçado de tudo é que a figura do “formador de opinião” é utilizada unicamente por aqueles que se julgam mais inteligentes e abastados. Você nunca vai ver aquela senhora que vende pipoca na porta do cinema, que tem cara de quem faz uma rabada deliciosa no fim de semana pros netos, e que pega dois trens pra chegar em casa esperando a opinião de um formador para poder dialogar. Ela tem a opinião dela, por mais equivocada que seja, mas tem. E na maioria das vezes, a opinião dela bate com a sua, mas de uma maneira muito mais simplista.

Perdemos essa pureza de cada um ser um formador de opinião, dessa vez sem aspas. A gente vive a ArnaldoJaborização das ideias, onde se espera alguém que julgamos mais inteligente abrir a boca e usamos suas palavras com toda propriedade, como se fossemos incapazes de escrever ou falar.

Não que eu ache que devemos falar as maiores asneiras sem pensar só pra quebrar a solda dos “formadores de opinião”. Existe, acima de tudo isso, a ética e o bom senso.

Quanto a obrigação de ser correto, pelo amor de Deus, né? Quando a gente vai parar de ser pseudo-politicamente correto e assumir nosso lado mais leve e espontâneo? Parece que essa geração viveu tão bem os anos de chumbo que decidiu que tudo hoje deve ser censurado. O correto é bastante relativo. Como disse em outro post, há alguns séculos era correto afirmar que a terra era plana e que o sol girava em torno da Terra. Se a gente não questionar, viveremos num 2011 eterno, sem evoluções. E acredite, estamos caminhando para isso.

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