Posts marcados ‘economia’

Pink money, aham, sei…

Algo que impõe respeito em qualquer sociedade é o dinheiro. Não importa seu caráter, sua história, suas escolhas ou qualquer outro fator determinante quando você tem dinheiro. Não digo isso por mim. Dinheiro é bom, principalmente quando ele é meu escravo. Quando eu me tornar escravo do dinheiro será altamente nocivo. E hoje a sociedade em geral é escrava das contas bancárias. E essa é a maneira errada que o público gay está ganhando respeito no país.

O chamado Pink Money é um dos mais valorizados hoje em dia por motivos óbvios: gays são notoriamente conhecidos por gostarem de produtos e serviços mais refinados, não têm filhos para sustentar e sua renda voltada ao entretenimento é muito maior que dos heterossexuais. Isso generalizando bem. Hoje mesmo algumas matérias sobre como a Parada do Orgulho LGBT em São Paulo esquentam a economia da cidade, sendo um evento muito mais lucrativo pra cidade que o Dia dos Namorados, por exemplo.

Não acho ruim uma série de serviços e produtos que sejam dedicados ao público LGBT, afinal, hoje o mercado tem espaço pra criação de marcas dedicadas a determinados setores da sociedade como roupas pra nerds, pacotes de viagem para idosos e livros religiosos que vão além das escrituras sagradas. O que não acho benéfico é conquistarmos respeito por conta do dinheiro. Eu vejo bem isso porque a bichinha pobre continua sendo escárnio da sociedade, enquanto o gay de elite é respeitado. Viado é quem tem dinheiro. Se você pode me oferecer algo, você é homossexual. Mas isso é apenas uma situação face a face, pois muitas vezes o preconceito só muda de ocasião. O dinheiro é bem vindo, mas os comentários maldosos aparecem quando o cidadão passa pela porta repleto de sacolinhas lotadas.

Dentro do Pink Money nós temos uma dose abusiva de preconceito, a começar pelo louvor a uma pessoa unicamente pela sua orientação sexual relacionando-a ao dinheiro. Isso é algo patológico. Dinheiro não sabe o que é orientação sexual. Além disso, temos a questão de rotular as finanças de uma determinada parte da sociedade, de maneira tremendamente preconceituosa, diga-se de passagem, como um “dinheiro rosa”, colocando o gay como um ser delicado e ao mesmo tempo excluindo as lésbicas como possiveis compradoras. Em resumo: está tudo errado. Impor respeito através de uma volumosa conta corrente não é o ideal. O que devemos é construir diariamente a imagem de que somos cidadãos, com o sem dinheiro.

Nuvem de tags

%d blogueiros gostam disto: