Arquivo para a categoria ‘Melhor que coxinha’

42 anos de orgulho

Eu não poderia deixar passar os 42 anos do Orgulho LGBT em brancas nuvens. Desde Stonewall Inn, em 28 de junho de 1969, quando a polícia invadiu o bar e massacrou um grupo de homossexuais e transgêneros, muito foi conquistado. A exemplo no Brasil temos a recente decisão do STF sobre a união homoafetiva, os milhões de cidadãos que se movem contra o preconceito em marchas e manifestações a favor da diversidade sexual em todo o país, o reconhecimento da ex-companheira de Cássia Eller como mãe de seu filho, os avanços na mídia e no debate sobre a homofobia e, obviamente, o primeiro casamento civil homoafetivo, realizado hoje no interior de São Paulo. De 1969 pra cá muita coisa mudou para melhor, apesar dos pesares, estamos remando adiante, lentamente, mas colhendo um mundo mais justo não só para nós, mas abrindo a mente e dando voz a outras minorias. Muitos podem dizer que face ao conservadorismo protagonizado por Bolsonaros, Malafaias e, agora, Myrians, não temos o que comemorar. Mas acho que eles comemoram conosco, afinal, não teriam de onde tirar verba se não fosse pela nossa luta.

Vivemos num país onde é bonito ver dois homens brigando, mas hediondo ver dois homens se amando. Existe muito o que lutar e não podemos nos anular nos outros dias do ano. O homossexual sofre preconceito diariamente e as questões afirmativas são fundamentais para um mundo mais justo. Sonho com o dia que não teremos mais a necessidade de marchas, leis e didatismos para acolher as minorias como gays, negros, mulheres e outros. Enquanto vivermos com o pé no passado, teremos medo de buscar o que é nosso por direito no presente e pior, passaremos uma guilhotina no pescoço do futuro.

Não há religião, cultura, lei, localização ou proibição que vá impedir um homossexual de existir. Não existe essa história de “ele é gay pelas influências”. Se fosse assim, todo mundo seria heterossexual, afinal, estamos numa cultura heteronormativa e, em grande maioria, os pais são heterossexuais. Ninguém escolhe ser gay, bem como não escolhe ser hétero. Não existe uma enquete em dado momento da sua vida que você escolheu com quem transar e quem amar.

Os opositores dizem que as minorias visam criar um nicho de super-cidadãos, inabaláveis e incriticáveis. É muito confortável dizer isso quando se está inserido em uma maioria dominante. A péssima notícia que eu tenho a dar é que a vida não é justa. Para ninguém. E as minorias, independente de qual estamos tratando, tem uma carga histórica que precisa ser apagada. Não podemos menosprezar que negros não tem as mesmas oportunidades que brancos, que mulheres sofrem abusos diários por homens, que algumas religiões e culturas sofreram e ainda sofrem massacres culturais e que gays não tem os mesmos direitos que heterossexuais. Para um mundo mais justo é necessário olhar com abrangência a sociedade e atender as necessidades específicas dos movimentos sociais. As feministas queimaram sutiãs e hoje têm direitos iguais. Os negros exaltaram sua cultura e se inseriram. Os homossexuais não podem se anular por conta de um falso-moralismo.

Que todo dia 28 de junho seja dia de lembrarmos aqueles que morreram, aqueles que sobreviveram, aqueles que fizeram história, aqueles que fazem a sociedade. Que todo dia a gente possa conviver pacificamente, não importando com quem eu durmo ou quem eu amo. Eu quero ser feliz e ter minha cidadania plena e quero o mesmo para todos. Eu quero igualdade e não superioridade, nem dos gays e nem dos heteros. Não podemos viver num mundo de aceitações. Aceitar é apenas dar espaço a mostrar uma superioridade falsa. Quero viver num país onde meus filhos e seus filhos possam se confundir na multidão que constrói essa nação.

 

Vergonha Alheia feat. Yudi

Muita gente não sabe até hoje o real significado da expressão “vergonha alheia”. É um sentimento que muitos sentem, por exemplo, ao assistir os programas e filmes do Didi feitos depois de 1996 (até porque Os Trapalhões era lindo demais). Aquele moleque que gira roleta todas as manhãs no SBT decidiu que é cantor e nos presenteou a forma máxima de vergonha alheia. Eu não sei como passei mais de um mês sem ver esta delícia do cancioneiro nacional.

 

 

Vamos detalhar esta delicia em 20 imagens para deleite do Datena:

 

 

Rebecca Black é melhor que Beatles

Essa semana tá rolando a nova febre da rata na ~rede mundial de computadores~ (já posso ser redator do Jornal da Globo). Rebecca Black tem 13 anos e gravou A-MELHOR-MUSICA-AND-VIDEOCLIPE-DOS-ULTIMOS-DOIS-MIL-ANOS.

Com um roteiro super-elaborado e lotado de referencias e icones pop, Rebecca Black vem a tona com seu frescor e criatividade, mostrando que menarca não é bagunça! Vamos ao vídeo!

Me diz se isso não é a oitava maravilha do mundo? Ok, você é uma pessoa desatenta e não pescou tudo o que o clipe de Rebecca Black significa para nossa geração.

Rebecca não tem medo de ousar e coloca em apenas uma imagens duas referencias muito fortes da década de oitenta. Década essa que a menina nem era nascida. Ela poderia se limitar a fazer uma homenagem apenas por segundo, mas sua genialidade permite que ela crie a fusão de A-ha e The Cure em uma única cena:

Aparentemente apenas Rebecca (Ou Re B., pros íntimos como eu) controlando o calendário sem utilizar as mãos. Mas ela não se limita a isso.

Desenhos em traços interagem com a realidade obscura do A-Ha + Referências a The Cure, em “Friday, I’m in Love”. As duas letras falam claramente sobre a paixão sobre esse dia da semana e o quanto são felizes nesta data.

Re B. não se limita a referências musicais, mas trás o cinema para seu vídeo, como nesse trecho onde ela faz uma clara alusão ao filme 12:01, de 1993. Rebecca mostra como uma menina de apenas 13 anos se sente presa no tempo, com todas as pressões que a sociedade impõe aos nossos jovens.

Rebecca também teu seu lado brasileiro. E mostra isso neste take onde todo mundo está desesperado, vendo o mundo se desmorar e Re B. apenas entoa para si a fortíssima oração de São Jorge, numa referência a toda brasilidade que ela carrega em sua alma. Perceba como ela não se altera e mantem sua pose e sua fé no santo guerreiro.

Rebecca também é inclusão social: para mostrar como é engajada com as causas dos oprimidos, ela faz seu vídeo sendo auto-explicativo, para que surdos também possam apreciar seu talento latente. No momento em que ela fala “Bus Stop”, temos uma placa em cena para ilustrar o que isso significa. Sem contar que esse recurso da literalidade em videoclipes nada mais é que uma homenagem ao fantástico clipe de “A Little Respect” do Erasure.

E Rebecca, como todo jovem, tem muitos amigos. Ela é tão querida, que seus companheiros de escola a buscam em casa, para não sofrer com os saculejos de um ônibus lotado. Mas apesar da pureza da cena, Rebecca rivaliza neste momento. Observem o motorista:

Aparenta um tanto quanto jovem para dirigir, não? Isso é uma mensagem que ela manda a todo o mundo. Rebecca diz “a partir de hoje sou a única diva teenager do mundo. Justin Bieber agora será meu motorista particular, pois meu talento vai engolir sua carreira de tal forma, que ele se sujeitará a um sub-emprego na Re B. Inc.” Quanta atitude tem essa moçoila!

Garotas no poder! Mulheres também podem sair, se divertir, dirigir seus carros, namorar, mexer nos cabelos e tudo mais que um homem faz. Com o adicional de se vestir glamurosamente como Geisy Arruda pra chocar a sociedade conservadora que vivemos! GO REB!

Rebecca inova mais uma vez e recusa-se a fazer qualquer tipo de coreografia em seu vídeo, algo completamente novo dentro do universo pop, apesar da quantidade incrível de figurantes em cena. Isso sem contar que Rebecca mostra como é possível ser um ícone, cantar música pop e não se vestir como uma vadia com esta belíssima e refrescante composição.

Doctor Rey clicou pra curtir e Daniela Albuquerque quer Re B. bem longe do Dr. Amilcare!

Se você tiver fotosensibilidade, não recomendo esse pedaço do clipe que faz uma homenagem ao episódio proibido de pokémon. Muito Porygon!

Rebecca é muito generosa e resolveu ceder um espaço de sua fama a um rapper desconhecido para fazer um feat. em sua música. Óbvio que isso é mais um exemplo de inclusão social. Sabe quanto este senhor consumia de crack por dia antes de ser abrilhantado por Rebecca Black?

A PLATÉIA ANIMADA E LOTADA CONFIRMA: REBECCA BLACK É SU-CES-SO!

Rebecca é o espírito que contagia as boates do mundo inteiro x como é dificil e solitária a vida de uma diva da teenage pop music. Rebecca é questionamento filosófico no Youtube, Rebecca é crítica social, Rebecca é o yin dialogando com o yiang!

O clipe termina e deixa um delicioso gostinho de quero mais. Isso sem falar da bela homenagem que ela faz a todos que sofrem diariamente as mais terríveis adversidades, colocando as palmas de sua empolgada platéia em silêncio. É sinal de respeito e humildade, pois sem sombra de dúvidas, ela saiu deste pocket show carregada pelo povo.

REBECCA É O FUTURO!

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