Arquivo para abril, 2011

Mas que bela bosta, hein seu Rica?!

Ontem seu Rica Perrone, que até então era um ilustre anônimo pra mim, fez uma beleza de texto que tinha tudo pra ser ótimo, se não fosse uma bosta.

Rica Perrone é jornalista, ou quase isso, e tem uma coluna na Globo.com sobre esportes. Aí, como entende tudo de esportes, bom jornalistão que é, decidiu falar sobre o caso do Volei Futuro onde o jogador (homossexual) foi ofendido em quadra. A torcida adversária ofendeu o rapaz e resolveram multar o time. Uma prática até normal hoje em dia, pra ver se a torcida consegue se comportar feito gente dentro em competições. A idéia de texto do Rica não era ruim e eu quase cheguei a defender o moço nos primeiros paragrafos. Entendi o que ele quis dizer sobre hostilidade em competições, que isso sempre existiu e sempre existirá, não importa o tanto de multa que seja aplicada. Mas quando eu percebi descaso, aí eu vi o conteúdo homofobico do texto.

Entenda que homofobia não é apenas sair metendo porrada num homossexual na rua. O ato homofóbico, até impensado do Seu Rica Perrone, foi tratar a homossexualidade como uma questão menor e, com isso, soltar umas frases bem infelizes. Primeiramente eu concordo com Rica que sempre existirá ofensa em qualquer competição. Até porque o brasileiro curte xingar e é de uma cultura machista e sempre vai ofender com coisas sexuais, menosprezando quem não faz parte do ideal de Macho-Alfa-Brasilis, vide homossexuais, prostitutas e mulheres em geral. Desde criança, quando um menino chora, vem um pra dizer que você está se comportando como um viadinho ou uma mulherzinha, como se chorar fizesse você menor e não respeitar seu falo que foi criado para guiar o resto do seu corpo rumo a um buraco vaginal opulento. Brasileiro é sexista e ponto. Tirando isso, o texto do Seu Rica vai piorando mais e mais a cada parágrafo. Recortei essas frases aqui para a gente analisar:


“Ser gay, que no meu conceito é 100% diferente de ser viado, é uma OPÇÃO SEXUAL. Viado é uma “opção pra aparecer”. Assim sendo, é opcional ser gótico, Emo, pagodeiro, roqueiro, palmeirense, flamenguista, etc. Você escolhe o que quer ser e como quer viver. E isso gera grupos que se afastam ou se aproximam de você.”

“São escolhas, e não ofendendo, não menosprezando, é tão direito seu andar de rosa quanto meu andar do outro lado da rua. Qualé?”

“Eu não sou gay, nunca destratei um gay, não sou homofobico, mas não quero ter um filho gay”

“Sejam gays. A gente aceita. Só não forcem pra ser “exemplo”. Se querem igualdade, taí. O que querem, agora, é tratamento VIP. Já nos obrigaram, com razão, a respeitar. Não tentem nos obrigar a gostar.”

Primeira dicona, Seu Rica: ninguém aqui escolheu ser gay ou optou em ser hétero. Você teve esse direiro de escolha na infância? Até onde sei, quando nascemos temos apenas o teste do pézinho. Não assinamos nenhum termo de garantia que seu pipi não entrará em nenhum popô. Bem como não preenchemos um formulário indicando nossa sexualidade futura. As coisas vão se desenvolvendo naturalmente, pois percebemos que já nascemos assim (podem parar de achar que isso aqui é Born This Way, ok?).

Segundo o Seu Rica, existe uma diferença entre ser gay e ser viado. Ser gay é gostar de outro cara e ser viado é gostar de outro cara e ser afeminado. Eu fiz um gráfico pra tentar entender como é essa questão.

Ficou claro? Gay é quem dubla Britney Spears no banheiro de casa. Viado é quem duba Britney Spears na rua.

Aí, perae, então ser gay é uma escolha, igual ser palmeirense, ou ser roqueiro. A gente acorda um belo dia, assiste um clipe da Lady Gaga e fala: porra, taí, vou começar a dar a bunda. Deve ser maneiro apanhar na rua.

Sim, Seu Rica, você, enquanto heterossexual, tem todo direito de andar do outro lado da rua quando um homossexual está passando. Até porque, sei lá, vai que esse negócio de homossexualidade passa, é contagioso. Até agora não desenvolveram nenhum remédio pra combater essa pouca vergonha. Inclusive, seguindo essa linha de pensamento, eu que sou branco, deveria atravessar a rua quando um negro passar, afinal, meu direito não dividir a calçada com um negro, né? Totalmente normal e aceitável. (contém ironia)

Nunca destratou um gay, mas não gostaria de ter um filho gay. Olha, meu querido, pra começar que você nem está preparado pra ser pai com uma linha de raciocínio. Você acha que seu pai sonhou pra você o destino de ser blogueiro? Não, né? Mas ele te ama da mesma forma. Sem contar que você falando que não gostaria de ter um filho gay é uma das piores formas de destratar um homossexual. Se você soubesse 10% do que um homossexual passa internamente para assumir pra si a sua sexualidade num mundo onde tudo coverge a heterossexualidade e você fica se sentindo um estranho no ninho, você pouparia a todos dessas palavras. E eu espero que você tenha um filho homossexual para ele te ensinar a evoluir. Mas a gente sabe como é o mundo e você vai ter um filho homossexual, anote aí. Todo pai consevador como você acaba tendo um filho gay. É uma das coisas que me faz acreditar em karma. Ele vem ao mundo pra te fazer aprender a rever seus conceitos. E acredite, essa é uma das coisas mais bonitas que você pode fazer na sua vida.

Somos gays e você não aceita. Se aceitasse, jamais faria um texto tão repleto de ódio como esse. Queremos igualdade sim, e ela não está aí. Ou melhor, existe igualdade sim: na hora de pagar impostos. Mas só até aí. Por que na hora dos direitos, pelo menos 78 são negados. Se quiser saber um pouco mais, confira seu lindo: http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2009/07/450310.shtml

Não queremos tratamento VIP, queremos aquele tratamento que vocês tem. Queremos os mesmos direitos, assim como temos as mesmas obrigações desde sempre. Pedir que homossexuais sejam tratados com respeito é um tratamento VIP? Não, né? Se alguém da sua família for ofendido ou agredido e você pedir justiça por isso será um tratamento VIP ou será apenas o respeito que todo ser humano merece, independente de qualquer coisa? E ninguém obriga ninguém a gostar, mas estamos longe de ter respeito por aqui.

O engraçado é que há algumas semanas, num amistoso da seleção brasileira, um torcedor jogou uma banana pro Neymar por ele ser negro e todo mundo achou um absurdo. Ou seja, tratar um negro de forma ofensiva é ruim. Tratar um homossexual de maneira ofensiva é tranquilo? Porque essa diferenciação? Todos humanos, não? Todos nasceram assim e sofrem diariamente com preconceito, não? Alguém aí escolheu ser negro ou branco? Não. (salvo Michael Jackson, mas ele não está aqui pra se defender)

Então vamos parar com esses bolsonarismos de que gays querem ser superiores, porque o que rola aqui é um discurso de igualdade. Tudo que você, seu Rica, faz, eu também quero e posso fazer. A constituição prevê igualdade de direitos. Queremos apenas que isso se aplique.

Beijo

Obrigado pela atenção.

Nossa! A gasolina tá pela hora da morte, né?

Tenho muitos amigos que estão reclamando do preço da gasolina. Dia desses até vi por aí um movimento de “Combustível mais barato já” e outro de boicote a Petrobrás. O primeiro acho válido. É realmente necessário que o preço da gasolina esteja mais baixo, afinal, vivemos num país que depende e muito deste combustível e o preço deve ser mais acessível. Já a segunda campanha acho um verdadeiro absurdo. Boicote a Petrobrás e a BR Distribuidora? Acho que o caminho não é por aí.

Primeiramente que Petrobras é uma empresa e BR Distribuidora é outra. A Petrobras é responsável pelo petróleo, como seu nome já diz. É uma empresa, que graças a um cara que foi chamado de analfabeto a vida inteira, hoje é uma das maiores do mundo e tem mais da metade do seu capital com o povo brasileiro. Deveria ser motivo de orgulho para todos. Afinal, somos “sócios” de uma das empresas mais fortes e poderosas da Terra. Poucos podem bater no peito e dizer isso. Mas como sócios dessa enorme empresa, também temos o direito de reclamar. É algo legítimo. Mas será que a gasolina está tão cara assim, ou nos acostumamos a criticar sem embasamento? Será que a gente não está sendo levado por mais uma onda?

A BR Distribuidora é responsável, logicamente, pela distribuição de gasolina. Seus postos estão espalhados por todas as grandes cidades e é mais uma bandeira a disposição do consumidor como Esso, Texaco, Ipiranga, Ale e afins. É uma sociedade anônima de capital fechado, subsidiária da Petrobras, ou seja, são empresas diferentes, com presidentes diferentes. A BR hoje é a segunda maior rede de combustíveis do país em faturamento, segundo a Revista Exame. Estamos entendidos? BR é uma empresa, Petrobras é outra.

Todo mundo sabe o quanto a Petrobras cresceu durante os oitos anos de governo Lula e o quanto tende a crescer nos próximos anos da administração de Dilma. Ponto pacífico. Outra questão é o quanto o nosso querido ex-presidente quis privatizar nossas estatais. Foi a Vale, as telecomunicações e tantas outras empresas que pertenciam ao povo brasileiro e hoje estão na mão de europeus. Existe um movimento – lógico, de extrema direita – que acha que a melhor coisa é privatizar logo a Petrobras (voltando ao projeto falido de PetroBrax, aquela pequena vergonha que passamos tentando esconder nosso próprio nome). Agora imagine: você está satisfeito com o quanto paga de telefone e internet? Você não acha os preços abusivos? Quantas vezes já lemos por aí que o Brasil tem uma das piores conexões com os preços mais altos do mundo? O quanto pagamos por minuto numa ligação? O mesmo aconteceria com o combustível. Se hoje a gasolina está na casa dos R$ 2,799, com a Petrobrax, seriamos obrigados a pagar no mínimo o dobro por ela. Privatização é algo fora de cogitação.

Andei pesquisando bastante sobre o preço da gasolina no Brasil e descobri que não somos os únicos a reclamar do preço desse combustível. Por fim, desfiz alguns mitos como “a gasolina brasileira é a mais cara do mundo, apesar de sermos auto-suficientes”. Muita balela!

Primeiramente, uma questão que fica no ar e pouca gente entende é porque nossos barris de petróleo obedecem as cotações internacionais se somos auto-suficientes em produção? Na verdade o Brasil é auto-suficiente em petróleo denso. O petróleo usado para fazer gasolina é o petróleo leve, o qual não somos auto-suficientes. Portanto precisamos continuar importando petróleo leve, o que exportamos é o petroleo denso. Dependendo há uma “troca desses tipos de petróleo” com determinado país e toda negociação deve ser feita em dólar. Os combustíveis tem seus preços baseados na cotação do dolar. Segundo que tudo neste mundo é vendido com base em preços internacionais, afinal, temos um mercado mundial competitivo. Se laranja tem cotação internacional, porque petróleo, o ouro negro, não teria?

Sobre o preço da gasolina no Brasil versus o preço da gasolina no exterior, parece estranho, mas estamos pagando um preço, digamos, “justo” (muitas aspas aqui). Acompanhe:

Em 2005 a CNN fez uma matéria sobre o assunto, se queixando sobre o alto preço da gasolina nos Estados Unidos e comparando com outros países. Na época, a cotação do dólar estava em R$ 2,65. A Holanda, um dos países mais desenvolvidos do mundo, pagava quase 6,5 dólares por galão de gasolina. Um galão equivale a 3,79 litros. Ou seja, o litro da gasolina na Holanda, segundo a CNN, em 2005, custava R$ 4,542. Enquanto isso o Brasil reclamava de seus litros por R$ R$ 2,50.

País Cidade Apurada Preço (US$)
Netherlands Amsterdam $6.48
Noruega Oslo $6.27
Itália Milão $5.96
Dinamarca Copenhagen $5.93
Bélgica Bruxelas $5.91
Suécia Stockholmo $5.80
Inglaterra Londres $5.79
Alemanha Frankfurt $5.57
França Paris $5.54
Portugal Lisbon $5.35
Hungria Budapest $4.94
Luxemburgo Luxemburgo $4.82
Croácia Zagreb $4.81
Irlanda Dublin $4.78
Suiça Genebra $4.74
Espanha Madrid $4.55
Japão Tokyo $4.24
República Tcheca Prague $4.19
Romênia Bucharest $4.09
Andorra Andorra $4.08
Estonia Tallinn $3.62
Bulgaria Sofia $3.52
Brasil Brasilia $3.12
Cuba Havana $3.03
Taiwan Taipei $2.84
Líbano Beirut $2.63
África do Sul Johannesburg $2.62
Nicaragua Managua $2.61
Panama Panama City $2.19
Russia Moscow $2.10
Porto Rico San Juan $1.74
Arábia Saudita Riyadh $0.91
Kuwait Kuwait City $0.78
Egito Cairo $0.65
Nigeria Lagos $0.38
Venezuela Caracas $0.12

Em seis anos aumentamos R$ 0,30 no litro da gasolina. No fim das contas, faz uma diferença substancial. Colocando por índices da inflação (29,31% de 2005 a 2010), o aumento deveria ser de R$ 0,73. Ou seja, nossa gasolina deveria custar, em preços atualizados, R$ 3,23/litro. Lembre-se que aqui eu não incluo reajustes de impostos e muito menos os ocorridos no mundo árabe nos últimos meses, que influenciou e muito no preço do petróleo. Ou seja, estamos pagando abaixo da inflação. Mas isso não faz a gente ficar feliz com o preço que pagamos, não é mesmo?

Você sabia que desses R$ 2,79 que você paga pelo litro da gasolina praticamente 41% são impostos? O ICMS, por exemplo, um imposto estadual, é cobrado mais de uma vez. Cobra-se quando a gasolina é vendida da distribuidora pra revendedora (o posto) e do posto pro consumidor final. O valor do ICMS é independente em cada estado. O Rio Grande do Norte, por exemplo, paga hoje 17% de ICMS e mais 2% de Fundo de Combate a Pobreza, obrigatoriamente. Isso duas vezes. O blog de fatos e mitos da Petrobras vez um gráfico pra mostrar como funciona o preço do combustível no Brasil. 29% dos valor é por conta da Petrobrás. 19% é o custo do alcool adicionado a gasolina. 11% fica pra Distribuição e Revenda. O restante, ou seja, 41%, são impostos. Todos esses valores são baseados no quanto custa até a revenda. Depois disso o dono do posto pode colocar o valor que quiser na sua bomba, mas normalmente seguem uma linha, para manter a competitividade. Afinal, você não vai pagar R$10,00 num litro de gasolina podendo pagar R$2,79, né? Ou seja, digamos que o valor vendido da gasolina pro dono do posto de gasolina seja de R$ 2,65, como dizem por aí. O dono do posto lucra quinze centavos por litro, o que no volume dá um dinheiro razoavel por dia. Desses R$ 2,65, os impostos comem R$ 1,08. Pouco menos da metade. Agora me diga, pensando de maneira fria, a culpa aqui é da Petrobras, da BR Distribuidora, do Seu Manoel dono do posto ou da reforma tributária que nunca sai do papel?

Aí, você brasileiro questionador vai perguntar: por que a Venezuela tem o combustível mais barato do mundo? Eu poderia ser muito ufanista e dizer que é porque o petróleo de lá é estatal e um estado forte proporciona tal ação. Mas vamos aos fatos: a Venezuela produz MUITO mais petróleo do que consegue vender. Todos aprendemos na escola (ou deveriamos ter aprendido) a lei de oferta e procura. A população venezuelana é de aproximadamente 27 milhões, enquanto o Brasil hoje conta com 190 milhões de habitantes. Se não bastasse essa diferença brutal, o Brasil produz quase a metade do petróleo da Venezuela. Acredite se puder, o Brasil, apesar de toda sua costa, tem uma capacidade de produção inferior a Venezuela. Enquanto nossos vizinhos produzem cerca de 2,802,000 galões de petróleo, nós atingimos a tímida marca de 1,590,000. A Venezuela é a nona maior produtora de petróleo do mundo, enquanto o Brasil, apesar de toda sua extensão, fica com o 17o lugar. Para se ter ideia, a Venezuela produz mais petróleo que o Kwait e o Iraque, isso para uma população 68% menor que a nossa. A quantidade de gasolina e petróleo que a Venezuela tem em estoque, por mais que exporte uma parte importante de suas reservas, também ajuda a manter o preço sem baixo. Imagine que na Venezuela a água é bem mais cara que a gasolina. Enquanto o litro da gasolina nas terras de Chavez custa moedinhas, o litro da água não é comprado por menos de R$ 2,00. E sinceramente, eu prefiro me gabar de beber água a vontade do que de colocar gasolina a preços baixos no meu carro.

Outra questão abordada por muitos críticos é sobre o Paraguai, que não tem poços de Petróleo, e a Argentina, que compra Petróleo Brasileiro, terem preços inferiores aos nossos em reais. Primeiramente leve em conta a questão dos impostos. Pagamos muito imposto e isso é inegável. Em segundo lugar observe a paridade do poder de compra dos dois paises. Todo mundo conhece ou já ouviu falar de alguém que foi a Argentina ou Paraguai para fazer compras. Tudo isso se deve ao poder de compra das populações de seus países. A gente acha que paga pouco por algo nesses países, mas com a economia capenga que eles mantém há anos, eles estão reclamando tanto quanto nós sobre seus preços. O que para nós é muito barato, para eles é uma verdadeira fortuna. Tudo isso devido ao poder de compra. Ou seja, se esses países pagam menos pela gasolina, é porque eles só podem pagar menos pela gasolina ou terão que usar cavalos pra chegar no trabalho. Conversei com alguns argentinos nesses últimos dias e eles não estão nem um pouco satisfeitos com os preços aplicados na gasolina deles. Por mais que pareça barato, para a população local não é. Brasileiros não estão satisfeitos com os preços daqui. Paraguaios e Argentinos não estão satisfeitos com os preços de lá.

Por último, uma questão que sempre é tocada é sobre nossa gasolina “não ser pura”, por conta da mistura com alcool. Acho extremamente benéfico que nossa gasolina não seja pura. É melhor pro meio-ambiente e traz benefícios econômicos pro país, principalmente pros produtores de cana. Este ano dois fatores ajudaram na subida repentina do preço do alcool: produção e estiagem. Enquanto o governo manteve acordos com produtores e estimulou para que a cana de açucar, em sua grande parte, fosse dedicada para a produção de combustível, o mercado sinalizou uma necessidade de produção de açúcar refinado, elevando o preço e tornando a produção de açucar muito mais vantajosa para o agricultor do que a produção de energia. Por interesse de ganhar mais dinheiro, afinal a produção de açúcar se apresentou mais rentável neste período, a grande maioria dos produtores preferiu deixar os acordos de lado e acumular riquezas. E no atual momento vivemos a entre-safra da cana de açúcar. Ou seja, a oferta diminui com relação aos meses anteriores. Com o estoque de alcool já prejudicado por conta da produção ter sido inferior ao esperado pela indústria de combustíveis e a atual queda no plantio da cana, o preço disparou. Aqueles que tem carro movido a alcool sentiram bem antes dos adeptos da gasolina a diferença na bomba. E acredite, isso acontece com maior frequência do que você imagina. Todo ano produzimos cana, processamos para transformar em alcool, utilizamos e passamos pela estiagem. Não precisamos nos preocupar e gritar por aí. Os preços vão naturalmente reduzir em poucos meses com a nova safra. Todo ano passamos por esse perrengue, mas preferimos fingir que não lembramos disso para poder reclamar e ter quem acusar quando o bolso pesa.

Algum ‘gênio’ decidiu encaminhar por aí um boicote aos postos de gasolina unicamente da BR Distribuidora alegando que “por ser a maior fornecedora de combustível do Brasil” a bandeira seria obrigada a reduzir seus preços conforme a população trocasse a bandeira por postos Esso, Texaco e afins e cita a “lei de oferta e procura”. Não precisa ser muito inteligente pra perceber que isso não vai dar certo, né? Se o objetivo é mesmo a lei de oferta e procura, os postos que tiverem maior procura vão rapidamente subir seus preços, para compensar a baixa oferta em relação aos número expressivo de clientes caso esse boicote desse certo. E outro dado absurdo dessa campanha é atribuir a culpa de tudo a BR. Primeiro porque, sinto informar, os postos BR não são a maior rede do país. Este lugar é ocupado pela Ultragás, responsável pelos postos Ipiranga (em boa parte do Brasil) e Texaco, em parte do Nordeste e Norte. Isso no fundo me cheira a mais uma estratégia. Ou com objetivos políticos, pra enfraquecer a Petrobrás/BR Distribuidora, ou mercadológica, para fortalecer algum concorrente, face ao crescimento dos postos BR nos últimos anos. Não existe razão pra esse boicote enquanto a gente se auto-boicotar não exigindo a reforma tributária neste país. Mas lógico que a gente prefere pensar no hoje, nos nossos umbigos, do que pensar no bem do país, né?

Que fique claro que não defendo os preços. Acho sim que está caro. R$ 2,79 não é um preço aceitåvel. Não é bacana pagar tanto por algo que teoricamente temos em abundância. Mas acho que é legal parar pra pensar sobre até onde vai nossa ignorância em não pesquisar sobre o assunto, o quanto podemos estar sendo usados como massa de manobra política e onde e como podemos ajudar.

Uma maneira bem eficiente de ajudar, não só a reduzir os preços, já que não podemos esperar uma redução drástica pros próximos dias, mas o planeta a sobreviver mais um pouquinho é procurar novas alternativas de transporte.  Por que não trocar seu carro, que entope as ruas da cidade, por transporte público? Se você mora perto do trabalho, por que não fazer bem ao seu corpo e trocar a fumaça e o ar condicionado por uma caminhada ou uma pedalada? Se você tem vizinhos ou amigos que vão para um mesmo local, por que sair cada um em seu carro e não fazer um esquema de carona? Além de bem mais divertido do que ir sozinho pro trabalho ou pra faculdade, você ajuda seu bolso e o meio-ambiente. São alternativas baratas e que fazem grande diferença no final. Você faz bem ao seu corpo, a sua mente e ao seu lar. Pense nisso. 🙂

Vergonha Alheia feat. Yudi

Muita gente não sabe até hoje o real significado da expressão “vergonha alheia”. É um sentimento que muitos sentem, por exemplo, ao assistir os programas e filmes do Didi feitos depois de 1996 (até porque Os Trapalhões era lindo demais). Aquele moleque que gira roleta todas as manhãs no SBT decidiu que é cantor e nos presenteou a forma máxima de vergonha alheia. Eu não sei como passei mais de um mês sem ver esta delícia do cancioneiro nacional.

 

 

Vamos detalhar esta delicia em 20 imagens para deleite do Datena:

 

 

Formadores de falta de opinião

Ontem estava sem fazer nada em casa (vida de desempregado é assim mesmo) e vendo um pequeno quebra-pau entre a minha linda Lele Siedschlag (sempre me enrolo pra escrever o nome dela) e uma pessoa sem qualquer importância. Tudo se deu por algum mal entendido e o rapaz proferiu uma frase que me martelou, apesar da quantidade absurda de erros gramaticais em menos de 140 caracteres: VOCÊ TEM A OBRIGAÇÃO DE SER CORRETA PORQUE É UMA FORMADORA DE OPINIÃO.

Wait! Por que Dona Alessandra é uma formadora de opinião? Ok, ela tem um blog bacanudo, trabalha no R7, é jornalista (das boas, com diploma e tudo), mas isso não a qualifica como “formadora de opinião”. Não que eu desmereça seu trabalho, em absoluto, mas o que leva uma pessoa a ser “formadora de opinião”?

Todos sabemos o que é um “formador de opinião” (se você não sabe, apenas balance a cabeça concordando), e todos sabemos também da sua importância numa sociedade. O que leva a necessidade de um formador de opinião é o que me intriga. Por que hoje, em 2011, precisamos de pessoas que demonstrem sua opinião para que possamos absorver algo e tomar partido? É sério que não podemos compartilhar de opiniões próprias?

Estamos na era da comunicação. Qualquer um é um objeto transformador e emissor de informações e opiniões. Não dependemos mais de comentários ácidos e protestantes desse ou daquele cara para formar aquilo que achamos. O ser humano é formado pelos seus achismos. Eu tenho a minha opinião, você tem a sua. Podemos trocar opiniões e pronto. Temos dois pontos de vista sobre o mesmo assunto. Posso mudar meu ponto de vista e você também. Mas isso não significa que eu tenha que esperar aquilo que um ser superior, o “formador de opinião”, diga para que eu estabeleça o que eu acho desde a economia brasileira até as razões que levam Angela Bismarchi a fazer tantas cirurgias.

A necessidade do “formador de opinião” se dá numa sociedade preguiçosa. Quando temos preguiça de ligar os pontinhos, conectar nossa lógica e criar uma ideia, uma opinião, a gente recorre ao “formador de opinião” para parecer um pouco menos burro. O mais engraçado de tudo é que a figura do “formador de opinião” é utilizada unicamente por aqueles que se julgam mais inteligentes e abastados. Você nunca vai ver aquela senhora que vende pipoca na porta do cinema, que tem cara de quem faz uma rabada deliciosa no fim de semana pros netos, e que pega dois trens pra chegar em casa esperando a opinião de um formador para poder dialogar. Ela tem a opinião dela, por mais equivocada que seja, mas tem. E na maioria das vezes, a opinião dela bate com a sua, mas de uma maneira muito mais simplista.

Perdemos essa pureza de cada um ser um formador de opinião, dessa vez sem aspas. A gente vive a ArnaldoJaborização das ideias, onde se espera alguém que julgamos mais inteligente abrir a boca e usamos suas palavras com toda propriedade, como se fossemos incapazes de escrever ou falar.

Não que eu ache que devemos falar as maiores asneiras sem pensar só pra quebrar a solda dos “formadores de opinião”. Existe, acima de tudo isso, a ética e o bom senso.

Quanto a obrigação de ser correto, pelo amor de Deus, né? Quando a gente vai parar de ser pseudo-politicamente correto e assumir nosso lado mais leve e espontâneo? Parece que essa geração viveu tão bem os anos de chumbo que decidiu que tudo hoje deve ser censurado. O correto é bastante relativo. Como disse em outro post, há alguns séculos era correto afirmar que a terra era plana e que o sol girava em torno da Terra. Se a gente não questionar, viveremos num 2011 eterno, sem evoluções. E acredite, estamos caminhando para isso.

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