No início do ano (como se já estivessemos em dezembro), Dilma mostrou interesse em que os Tablets como iPad fossem popularizados no país, bem como a banda larga. Deus tenha pena do Orkut que vai virar essa espelunca.

FICA, VAI TER IPAD

Apesar das críticas, principalmente dos MacLovers, que se acham superiores em sua máfia hi-tech elitista, essa ação vai muito além de distribuir tablet como se fosse churro em quermesse.

O click me deu ao reassistir o excelente documentário “Beyond Citzen Kane” (se você nunca viu, enfie dois dedos no seu cu) e percebi que o Brasil retratado ali não é o mesmo de hoje. Não porque nos tornamos mais bonitos e nossa inflação está sob controle. Mas o foco principal é que a mídia hoje não se prende unicamente a TV Globo. Majoritariamente sim, mas unicamente não.

A principal responsável pela queda na audiencia em todas as emissoras de TV (o Jornal Nacional de 1989 dava 60 no Ibope e hoje dá a metade) foi a Internet. Esta linda conexão, que trouxe você até aqui, mexeu, e muito, no trono que a televisão tinha em nossas salas. Observe a sala da sua casa. Perceba que todos os móveis estão organizados de modo que fique mais confortável assistir a televisão. Isso quando você não possui mais de um televisor em casa. Eu tenho uma tia que tem televisões em todos os cômodos. Sim, inclusive nos banheiros. Sim, ela caga assistindo Silvio Santos. Sim, eu também assisto Silvio Santos, mas não cago durante o programa pois tenho problemas intestinais. Sim, eu desvirtuei completamente do assunto e estou falando sobre cocô porque tenho 3 anos de idade.

A internet caminha para num futuro próximo substituir a importância da televisão, caso a mesma não se adeque a uma nova realidade. E não digo se adequar no sentido de criar pesquisas interativas e decidir quem será eliminado do BBB. Experiências bem maiores que essas. Observe que eu digo sobre substituir a importância, não a mídia. Uma mídia jamais acabará com outra como se acreditava que a TV acabaria com o rádio que, por sua vez, mataria o jornal. Ninguém vai engolir ninguém nessa suruba. Pode levantar as calças, rapazinho!

Analisando essa cadeira hereditária o documentário, você percebe que o poder da televisão brasileira, especificamente a Globo, se deu pela falta de alternativas midiáticas e interesses governamentais. Hoje a internet chega em situação curiosamente parecida ao Brasil, com a diferença que precisa-se de alternativas, mas também há interesses governamentais.

É público e notório que Dilma só foi ao segundo turno das eleições graças ao poder da internet. Poder esse que a campanha dela duvidou até perceber sua queda nas pesquisas e a necessidade de um segundo pleito. A internet foi decisiva pra que hoje ela esteja em Brasília tomando seus bons drink e curtindos esses momentos meus. Se a internet foi sua maior arma na correria eleitoral, fazendo-a reverter a enrascada que se meteu por falar sobre o aborto e uma série de hoax criados pela oposição, a médio prazo a internet pode ser sua maior aliada.

Se depender da grande mídia, leia-se, Rede Globo, Aécio Neves será o próximo presidente. Nem era pra Dilma ser eleita, se o desejo de Ali Kamel fosse atendido. Era vexatório como o jornalismo do Jardim Botânico privilegiava a campanha tucana. Bem como era muito clara a preferência da Rede Record pela campanha petista. Nem precisava ser muito inteligente pra perceber isso. A fuga era a internet, onde tudo toma dimensões superiores. E hoje qualquer imbecil tem acesso a uma lan house e pode ler um blog como este, que defenda este ou aquele candidato. Em resumo: popularizar a internet não é apenas uma forma de fazer todo mundo feliz e calar a boca de geral. É um jeito muito bonito de democratizar a informação. É perigoso? Sim. Se existe uma informação, ou melhor, opinião que privilegia a situação, haverá também aquela que fará campanha da oposição. Mas o risco vale a pena. Quanto mais acesso a informação, e, aliado a uma ação populistamente democrática, o retorno é quase garantido. Sem contar o clima de “estamos investindo em educação” que essa ação proporciona. O governo do estado do Rio já faz isso com seus alunos do ensino médio, doando cerca de 5.000 computadores/ano. Baixar o preço do iPad é interessante para o governo, que cortará gastos abusivos de sistemas operacionais caros e equipamentos igualmente nababescos.

Lógico que existe a hipótese de ser apenas o interesse de tirar algum com a venda de iPads e que Dilma tenha um caso secreto com Steve Jobs. Mas anotem em seus caderninhos: candidato que não investir tanto ou mais que a televisão na internet, certamente perderá as próximas eleições.

Anúncios

Comentários em: "A gente não quer só comida, a gente quer iPad" (2)

  1. A internet é o purgatório “das mídias”. Viva a internet! A
    Pra mim a grande pergunta é: Como viviamos antes dela?

    ótimo texto!

  2. Geh :) disse:

    Internet. Podemos unir com Democracia ?
    Ñ sei, mas as opiniões e críticas são importantes e estão em toda a web. Assim, não ficamos apenas com a opinião que nos é passada pelo Jornal Nacional. Viva a Internet! (2 membros)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Nuvem de tags

%d blogueiros gostam disto: