Hoje acontece a décima quinta Parada do Orgulho LGBT em São Paulo, um dos eventos mais lucrativos e representativos da maior cidade do país. Seria clichê demais eu colocar como tudo se tornou comercial demais e como virou muito mais um carnaval do que um manifesto político. Isso todo mundo sabe e é bastante evidente. O meu questionamento da parada é o orgulho. Não existe orgulho dentro da parada.

Acredito que os organizadores do evento estão sim engajados com a luta política e promovem o evento como maneira de protestar, pedir os direitos e exaltar a diversidade sexual. É magnifico você pensar que todo ano mais de 3 milhões de pessoas lotam a principal avenida do país por um objetivo tão nobre, expondo que o mundo vai além do que o pensamento médio pretende mostrar. Lógico que a Associação da Parada LGBT de São Paulo lucra com o evento, afinal, nada além das ervas daninhas se sustenta de luz do sol e boa vontade. Vivemos em uma sociedade capitalista e somos garotas materialistas.

A caravana passa, os carros da parada passam, as pessoas se conhecem, se beijam, as drags dublam, alguns mais empolgados fazem coisas inapropriadas para o horário e para o local, a festa suja a cidade, as pessoas saem com a sensação de dever cumprido, a noite cai e as coisas voltam ao normal. Como Cinderela o Orgulho Gay vira abóbora. O dia muda e a única evidência daquele orgulho é a ressaca e meia dúzia de telefones trocados. Grande parte se re-enfurna em seu armário e se anula por conta do preconceito. Esquecem que a primeira luta contra o preconceito é quebrar o próprio tabu. Se as mulheres não se afirmassem diariamente, ainda estariam limpando cueca suja de marido e apenas isso.

O Orgulho LGBT que a parada propõe, em verdade, não existe. Um único dia em 365 para ser gay não  significa orgulho. É apenas aproveitar uma festa. É apenas pegar um recorte da cultura LGBT. O verdadeiro significado do orgulho é não se esconder, é não se transmutar em algo que você não é no resto do ano. Orgulho de verdade é não ter medo de expôr quem você realmente é, por mais que as pessoas não gostem disso.

Gay Supernova

Eu tinha 9 anos. Me sentia o menino mais legal do mundo por poder ir pra escola sozinho.Minha mãe me ensinou como se pegava ônibus e desde então gostava de pensar que eu era totalmente independente. Num desses dias, atravessando a rua, vi uma cena que me chocou demais. Absurdamente. Era um homem. Ponto. Apenas um homem. Mas eu, com nove anos, tinha achado-0 interessante. Aquilo foi o que me chocou. Eu, com nove anos, me sentindo atraído por um outro homem. Assim como muitos moleques da minha idade babavam pela Luma de Oliveira, eu senti o mesmo ao ver aquele cara passando de carro. Foram segundos, mas fiquei o dia inteiro me martirizando por aquilo.  Comecei a pensar “ah, que isso, tá errado, eu sou menino. Não posso nem achar um homem bonito. Isso é errado!”. E aquele sentimento do erro ficou me martelando por anos. Por mais que eu tivesse absoluta certeza que me interessava bem mais por homens do que por mulheres, eu tinha em mente que aquilo era errado e que ninguém gostaria de mim daquele jeito. Não sabia porque, mas sabia que era assim que o mundo funcionava.

No ano seguinte conheci Alex, meu novo professor de natação. Ele era lindo. Minha mãe babava por ele e lembro que minha tia fazia questão de me acompanhar até o clube só para ver Alex de sunga na beira da piscina. E lembro da primeira vez que ele entrou no vestiário e foi tomar banho e se vestir para sair do clube. Pela primeira vez eu vi um homem nu e eu ficava intrigado porque gostava tanto de olhar para aquele corpo. Eu tinha 10 anos, gente! Por mais proibido que fosse, eu gostava de olhar aquilo, mas lutava contra. Me reprimia por conta daquilo.

Com doze anos as boybands estouravam no país e lembro que minhas amigas (sempre me dei melhor com elas) gostavam de alguns modelos e cantores da época e eu me segurava para não mostrar meu interesse nas fotos que elas colecionavam. Me punia severamente por isso. Não por me controlar, mas por gostar de ver aquilo. O tempo passou e todos os meus amigos de escola, em seus 15 anos, gostavam de pegar as menininhas e eu ficava bem no meu canto, estudando, sem muito contato. Até que eu era bastante popular no colégio, agora público, mas não me agradava a ideia de beijar uma menina. Eu não sentia nada com relação a elas, então não existia razão para isso. Lembro que um amigo, ao saber que eu era totalmente virgem, falou que eu deveria ser “frígido”, por que não sentia atração sexual por absolutamente ninguém. Na verdade, eu gostava de um menino da turma, achava lindo, mas nunca ia contar isso pra ninguém. Não ia querer ir para o nimbo social. Contive minha vida, novamente.

Fui criado num lar de valores cristãos, família evangélica e muito bem estruturada, obrigado. Nunca vi meus pais brigarem e eu seria injusto caso dissesse que algo me faltou em termos de afeto durante a infância. Tive pai e mãe bem presentes. Sou o filho mais velho, nunca fui mimado, meus pais são casados até hoje e vários outros fatores que sempre culpam a homossexualidade eu nunca tive. Nunca passei por experiências sexuais frustradas e nunca, graças a Deus, sofri qualquer abuso. Não via, pela educação forçada à sociedade heteronormativa, uma justificativa para meu interesse por garotos. Aos 16 anos, quando todos os meus amigos de escola contavam suas experiências sexuais, eu preferia mentir sobre minha vida do que experimentar aquilo que eu sabia que realmente desejava. Na mesma época conheci um cara e decidi que queria ficar com ele e ali foi minha primeira experiência e minha negação. Nasci numa cidade pequena e achava que a qualquer momento as pessoas poderiam descobrir que eu já tinha beijado um outro homem. Não sabia o porquê, mas gostei da experiência e odiei conviver com aquele segredo.

O tempo passou. Fui pra faculdade, em outra cidade, e tentei, com todas as forças, ter uma namorada. Até beijei algumas meninas, mas não era tão interessante quanto o beijo que eu tinha trocado aos 16. Então, em uma trama digna de novela das oito, conheci um cara que realmente mexeu comigo. Eu gostava de estar com ele, queria a presença dele o tempo inteiro e, não sabia bem por que, mas queria estar sempre ao lado dele. Tudo nele era lindo e eu falava a todos o quanto eu tinha gostado de conhecer aquele cara. Ele tinha uma história bem parecida comigo e vi um refúgio ali. Quando percebemos, os dois estavam apaixonados. E ali descobri o que era e como era bom gostar de alguém. Naquele momento, mesmo lutando contra mim, não me aceitando completamente, e colocando sempre os pés pelas mãos, decidi que ia tentar ser feliz, enfim. Já tinha perdido tempo demais não me aceitando e lutando contra tudo aquilo que eu queria e lutando contra aquilo que eu era. Então, após muito sofrimento, tive meu primeiro namorado. O romance não durou muito. E depois daquele cara outros vieram, como qualquer jovem sadio. A diferença é que depois que eu entendi o que eu era e como eu era, o mundo se tornou mais suave de engolir.

O pior momento da vida de qualquer homossexual é a negação. Tentamos lutar contra aquilo que somos. Nos cobramos de coisas que a sociedade supostamente nos cobraria. Temos milhões de vezes mais super-ego que qualquer outro e, com o objetivo de entrar numa “normalidade”, muitas vezes nos anulamos. Temos medo. Medo do mundo, medo da família, medo do que nos poderá acontecer. Lembro que quando contei a minha mãe que sou homossexual, ela não me ofendeu e nem ficou se questionando onde errou e porque Deus “fez isso logo com ela’. Ela apenas tinha medo. Medo do que o futuro me reservava e medo do que o preconceito no mundo poderia me tornar. Medo da homofobia. Ela nem sabia exatamente o que era isso. Mas ela tinha medo. E eu também. E confesso que até hoje tenho.

Não obstante viver sob a égide do medo, como se fosse fácil você precisar se anular por anos para agradar meia dúzia de gente que realmente não liga para você, hoje a gente vive como uma sub-classe, como alguém que precisa de atenção especial. Não há nada no mundo que possa nos contar como a vida é cruel ou que nos conte como a vida pode ser bacana. Temos que lutar contra tudo, contra todos e contra nós mesmos. Vejo muitos gays dizendo que se pudessem escolher, escolheriam não ser homossexuais. Por medo do preconceito. Eu, se pudesse escolher, escolheria não existir tanto tabu no mundo. Prefiro que cada um possa ser o que quiser sem a obrigatoriedade de agradar a todos o tempo todo. Prefiro que cada um seja o que realmente é sem precisar se anular e, principalmente, que cada um seja muito mais do que aquilo que faz ou deixa de fazer na cama, ou sua forma física, ou sua origem ou qualquer outro detalhe ínfimo que nada domina no caráter.

Até hoje tem gente que diz que homossexualidade é promiscuidade, pouca vergonha, doença, vontade de aparecer, necessidade de atenção ou falta de Deus no coração. Eu ainda acho que homossexualidade é apenas um detalhe.

Algo que impõe respeito em qualquer sociedade é o dinheiro. Não importa seu caráter, sua história, suas escolhas ou qualquer outro fator determinante quando você tem dinheiro. Não digo isso por mim. Dinheiro é bom, principalmente quando ele é meu escravo. Quando eu me tornar escravo do dinheiro será altamente nocivo. E hoje a sociedade em geral é escrava das contas bancárias. E essa é a maneira errada que o público gay está ganhando respeito no país.

O chamado Pink Money é um dos mais valorizados hoje em dia por motivos óbvios: gays são notoriamente conhecidos por gostarem de produtos e serviços mais refinados, não têm filhos para sustentar e sua renda voltada ao entretenimento é muito maior que dos heterossexuais. Isso generalizando bem. Hoje mesmo algumas matérias sobre como a Parada do Orgulho LGBT em São Paulo esquentam a economia da cidade, sendo um evento muito mais lucrativo pra cidade que o Dia dos Namorados, por exemplo.

Não acho ruim uma série de serviços e produtos que sejam dedicados ao público LGBT, afinal, hoje o mercado tem espaço pra criação de marcas dedicadas a determinados setores da sociedade como roupas pra nerds, pacotes de viagem para idosos e livros religiosos que vão além das escrituras sagradas. O que não acho benéfico é conquistarmos respeito por conta do dinheiro. Eu vejo bem isso porque a bichinha pobre continua sendo escárnio da sociedade, enquanto o gay de elite é respeitado. Viado é quem tem dinheiro. Se você pode me oferecer algo, você é homossexual. Mas isso é apenas uma situação face a face, pois muitas vezes o preconceito só muda de ocasião. O dinheiro é bem vindo, mas os comentários maldosos aparecem quando o cidadão passa pela porta repleto de sacolinhas lotadas.

Dentro do Pink Money nós temos uma dose abusiva de preconceito, a começar pelo louvor a uma pessoa unicamente pela sua orientação sexual relacionando-a ao dinheiro. Isso é algo patológico. Dinheiro não sabe o que é orientação sexual. Além disso, temos a questão de rotular as finanças de uma determinada parte da sociedade, de maneira tremendamente preconceituosa, diga-se de passagem, como um “dinheiro rosa”, colocando o gay como um ser delicado e ao mesmo tempo excluindo as lésbicas como possiveis compradoras. Em resumo: está tudo errado. Impor respeito através de uma volumosa conta corrente não é o ideal. O que devemos é construir diariamente a imagem de que somos cidadãos, com o sem dinheiro.

Vale tudo

Hoje aconteceu em São Paulo uma das maiores manifestações públicas do Brasil. Não, não estou falando da Parada do Orgulho LGBT, mas da Marcha pra Jesus.  E face ao que se tornou, o evento evangélico e a festa da diversidade sexual são a mesmissima coisa. Ambos surgiram como um momento de necessidade de clamor e liberdade de expressão de um povo oprimido, porém significativo, e se tornaram uma festa de exaltação a coisas equivocadas. Acredito que o único diferencial está na organização. Acredito que a militância que organiza a Parada do Orgulho LGBT, em todos os lugares do mundo, tem o objetivo inicial, trazer visibilidade a um setor da sociedade e pedir inclusão social. Já o objetivo da Marcha para Jesus que tinha em sua origem louvar a nome de Deus e propagar amor e evangelizar tornou-se, na mão de seus administradores, um evento de propagação do ódio. Aquela ideia de “amor de Cristo” foi para o ralo há algum tempo, mas em 2011 tornou-se mais evidente.

Liderado pela nova febre da rata dentre os fundamentalistas e conservadores, Silas Malafaia, a Marcha para Jesus reuniu um milhão de pessoas na tarde de hoje (segundo os organizadores a estimativa da polícia representa apenas um quinto do público real) e foi algo assustadoramente próximo ao nazismo. Palavras do pastor davam conta de chamar de “lixo moral” as pessoas que questionam a interferência das igrejas em assuntos do governo (mesmo estando num Estado laico), e comparou a liberdade de expressão, que ele tanto defende em poder praticar sua homofobia livremente, a apologia a cocaína e pedofilia. ”Amanhã se alguém quiser fazer uma marcha em favor da pedofilia, do crack ou da cocaína vai poder fazer. Nós, em nome de Deus, dizemos não.”, disse Malafaia.

“O STF rasgou a Constituição que, no artigo 226, parágrafo 3º, diz claramente que união estável é entre um homem do gênero masculino e uma mulher do gênero feminino. União homossexual uma vírgula”. Silas Malafaia, mais uma vez, defendendo um Estado justo e democrático de fato. É óbvio que nenhum extremista vai dar bola pro que quero dizer, tanto do lado LGBT quanto do lado conservador, mas estamos a beira de um momento crítico no país. Com o aval de um nicho conservador que sabe exatamente onde e como inflar a fúria de outro setor da sociedade, estamos criando um cenário de instabilidade e isso poderá a levar a uma guerra entre progressistas e conservadores, utilizando, como em outros momentos, pessoas como armas. Me surpreende ver a historia se repetindo. Uma nova inquisição nascendo e hoje o homossexual é a nova bruxa. Pense que há 15 anos evangélicos e católicos se odiavam e trocavam ofensas, e hoje estão unidos “contra um mal maior”. É o medo da latente perda de fiéis de ambos os lados x o crescimento econômico no país que todo mundo quer tirar uma casquinha. Encobrir o preconceito com o manto da religiosidade é um golpe baixo. Se discursos baixos como este promovido por Silas Malafaia não tivessem espaço, não teriamos a necessidade da criação da PLC 122. A vontade de acabar com qualquer lei que beneficie homossexuais não é meramente uma questão ideológica ou religiosa. Tem fundamento econômico e apelo destrutivo. A liberdade de expressão é válida para eles, desde que seja só para eles. E muitos homossexuais pensam no mesmo caminho. Liberdade de expressão é unilateral. De nada adianta, nós gays, nos juntarmos por um ou outro motivo e jogar pedra na manifestação alheia. Todo mundo tem direito de manifestar suas ideias e filosofias, lógico, dentro de uma legalidade. Vale tudo. Homem com homem, mulher com mulher, homem com Deus, mulher sem Deus e todo mundo junto por um bem maior.

Juntamos 3,5 milhões em uma parada gay, mas não juntamos 35 mil para ajudar a educação. Reúnem 5 milhões promovendo a homofobia em nome de Cristo, mas não juntam 5 mil para doar sangue. Está tudo deturpado.


Nenhuma frase pode ser mais imbecil que “não tenho nada contra gay, inclusive tenho amigos gays e…”, por que você prova sim que tem algo contra gay, uma vez que você rotula esse ou aquele cidadão face a quem ele ama. Essa frase de pseudo-igualdade não te torna menos intolerante. Principalmente porque essa frase normalmente é seguida por um “mas eu acho” e descamba todo o texto. Normalmente a frase é “não tenho nada contra gay, inclusive tenho um amigo assim e trato de igual, sabe? Mas acho que essas leis a favor deles estão criando uma ditadura gay, vocês não acham?”. Exemplo muito bonito desse tipo de pensamento é esse maravilhoso texto do Vereador Paulistano Carlos Apolinário do DEM (nenhuma surpresa, não?) que traz quatro perguntas que gostaria de responder. Posso? Obrigado.

1) É preciso, para ser gay, colocar uma camiseta com a inscrição no peito: Sou gay?

Claro que não. Da mesma maneira que nenhum evangélico precisa usar camisa do Smilinguido ou “Exército de Cristo, Aliste-se já!”, ou os católicos colocarem adesivos “tudo com jesus, nada sem maria” para se mostrarem cristãos. Pensando desta maneira, o nobre vereador poderia criar um projeto de lei onde todos receberiam camisetas brancas para uniformizar a sociedade. Essa liberdade de usar uma camisa com inscrições tem que ter um fim. É o tal orgulho que as pessoas pregam. Um absurdo. Onde já se viu, orgulho de ser algo.

2) É preciso ir a um canal de tevê ou a uma revista e dizer: Sou gay?

Claro que não. Da mesma forma que não é necessário ir a um programa de televisão evangelizar.
3) É preciso, para ser gay, ir a locais públicos e dar beijo na boca?

Eu sei que não é bacana responder uma pergunta com outra pergunta, mas: Para ser um homem hétero é necessário ver uma mulher na rua e chamar de gostosa? Ou é necessário dar as mãos num restaurante durante um jantar romântico com sua esposa? É necessário abraçar quem você ama em público?
4) Para ser gay, é preciso fazer uma declaração pública: Sou gay?

Bem, você só é gay, hétero, bissexual, assexuado ou qualquer outra nomenclatura que o valha depois que você, em algum momento da sua vida, declara que é assim. Você pode declarar tanto subindo num palanque ou dando um beijo em alguém.

Meu único questionamento ao vereador Carlos Apolinário é: liberdade é seletiva?

O vereador em questão ainda é responsável (como tantos outros engraçadinhos) em fazer o achincalhe dos direitos humanos criando a proposta do “dia do orgulho hétero”. O Orgulho LGBT não é uma afronta ao heterossexuais. É apenas uma demonstração que nós existimos e merecemos, assim como heterossexuais, todos os direitos previstos. Nunca vi um heterossexual sendo expulso de um lugar por beijar alguém do sexo oposto, ou ter seu direitos negados por isso, ou precisar esconder de sua família que é heterossexual. O Orgulho LGBT é uma forma de reafirmar que não precisamos viver em guetos e queremos nos inserir na sociedade de forma plena, sem diferenciação. Eu entendo perfeitamente que o objetivo do Orgulho LGBT foi bastante esvaziado, principalmente pela falta de objetivo político daqueles que lotam as Paradas e Marchas (mas isso é assunto pra outro post durante a semana). O foco aqui é que existe uma minoria oprimida e quer ser representada e quer ter voz, mostrar-se a sociedade e ganhar o espaço que é de direito. Não se cogita fazer um Dia do Orgulho Branco ou a Marcha Pelo Dia Internacional do Homem. As minorias lutam pelo seu reconhecimento e pelo fim do massacre cultural que as maiorias impoem há anos, décadas, séculos. Bem como existe a Marcha pra Jesus, e tem seu valor e seu significado que não devem ser menosprezados por qualquer cidadão, o Orgulho LGBT também não deveria.

O grande celeuma que estamos criando com esses embates ideológicos extremistas, tanto do lado dos conservadores e fundamentalistas religiosos quanto dos militantes LGBTs cegos por um discurso, é uma rixa que não é saudável para o Brasil e mina o debate da forma mais anti-democrática possível. Temos que conversar de maneira franca, honesta e reta para chegarmos a acordos. Ninguém consiguirá absolutamente nada com dedos na cara.

Dia 28 de Junho lembramos o incidente de Stonewall, o que marcou a início da luta pelos direitos LGBT no mundo, tendo nesta data o Dia do Orgulho LGBT (ou como se dizia antigamente “Dia do Orgulho Gay”). Por conta disso, decidi fazer um texto por dia, de hoje até a próxima terça (28/06/2011) com essa temática. Estamos de acordo? Todos balançam a cabeça e dizem que sim. Que beleza!

Um juiz em Goiás decidiu que o STF não sabe de absolutamente nada e esse negócio de homem com homem, mulher com mulher e outras coisas que vão contra a ~família brasileira~ são contrárias a constituição e, portanto, anulou o reconhecimento de união estável entre o jornalista Liorcino Mendes, 47, com o estudante Odílio Torres, 23. O juiz Jeronymo Pedro Villas Boas argumentou que o direito à união homossexual “inexiste no sistema constitucional brasileiro”. Ele afirmou que não quis confrontar o Supremo, mas “só seguir a Constituição”. O juiz afirmou ainda que defende que os homossexuais sejam livres para ter qualquer tipo de relação, mas “essas pessoas não podem querer a aceitação dos demais membros da sociedade como se fosse natural”. Para finalizar disse que sua medida não foi baseada em qualquer tipo de preconceito, apenas na constituição. Tirem suas conclusões.

OI MEU NOME É JERONYMO.

Quão terrível seria viver caso nossa constituição não evoluísse, como propõe o juiz goiano. O Brasil carrega até hoje a mácula de ser o último país independente das Américas a abolir a escravatura totalmente. Carregamos sempre o ranço do passado, ignorando que a sociedade é algo volátil e tem a tremenda habilidade de se modificar com o passar dos anos. O que mais me assusta é alguém pensar nos malefícios que a união civil homoafetiva poderá causar ao país. Vamos conferir uma lista de países onde os direitos LGBT são reconhecidos: Bélgica, Canadá, Espanha, Dinamarca, Islândia, Noruega, Holanda e Suécia. Como pode-se perceber, apenas países onde a educação é realmente precária e os pobres cidadãos vivem a beira da miséria, convivendo com guerras, doenças e toda sorte de tragédia. Coisa de país subdesenvolvido! Agora vejamos países onde os direitos LGBT são negados: Mianmar, Malásia, Coréia do Norte (onde homossexuais são presos), Irã (com direito a pena de morte), Afeganistão, Tanzânia (prisão perpétua) e Somália (pena de morte). Ou seja, apenas países extremamente desenvolvidos. Realmente, o Brasil é bem mais parecido com a Somália do que com o Canadá. Faz todo sentido.

Alheio a tudo isso (ou não), a Frente Parlamentar Evangélica (adoro esse nome) apresentou à Mesa Diretora da Câmara um projeto de decreto legislativo que pretende cassar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre os direitos dos homossexuais. O projeto do Deputado Federal João Campos (PSDB-GO) vai além da decisão do juiz Villas Boas. Ele propõe anular todos os atos dela decorrentes da decisão do Supremo. Reforçando sua ignorância, o Deputado alegou que o Congresso pode cassar uma decisão do STF – se, de fato, ocorrer, será algo inédito – com base no artigo 49 da Constituição. O item 5 deste artigo diz que é de competência exclusiva do Congresso “sustar atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa”. Não existe qualquer citação a determinações do Judiciário.

Vamos a um infográfico para explicar as consequências da decisão do STF:

Em resumo: a união civil homoafetiva não cria qualquer prejuizo a pátria e seu objetivo é meramente equiparar todos os cidadãos brasileiros, como diz a constituição que ela deve ser igual para todos. Óbvio que o conservadorismo que ganha voz no Brasil vai querer de todas as formas barrar o direito LGBT, mas jamais ignorará os deveres. O que não se pode é criar uma atmosfera de instabilidade no país, um diz algo, outro vem por cima e desmente e fica nesse embate. Três dados valiosos para você que é contra a união civil homoafetiva: 1) Se você é contra o casamento de pessoas do mesmo sexo, apenas não se case com alguém do mesmo sexo. Você não precisa impedir a felicidade alheia para ser feliz. Caso você ache que isso é necessário, o que você sente não é felicidade, é inveja; 2) Gays e lésbicas não querem casar na igreja. O objetivo aqui é o reconhecimento legal. É poder, enfim, ter os mesmos direitos. Não é a criação de super-cidadãos como alguns pintam, pelo contrário, é, enfim, o término da marginalização de um setor representativo da sociedade; 3) Se você acredita que a justiça no Brasil é lenta, que tal se uma pilha de processos sobre reconhecimento de uniões estáveis desaparecessem? Com o reconhecimento do STF essa é uma tendência, uma vez que eu não precisarei entrar na justiça e esperar anos pelo óbvio ululante.

Hoje a Folha de São Paulo divulgou a noticia que o Nordeste cresceu e hoje sua renda se aproxima bastante da renda de São Paulo. Isso é fantástico. Em 10 anos o Brasil se tornou um país mais justo e as oportunidades estão em todos os estados. Não dependemos mais daquele eldorado que por anos corremos atrás. Hoje você pode nascer, crescer e viver no estado que nasceu, sem depender de um sub-emprego em outro lugar com o sonho de “vou pra outro canto ganhar a vida”. Essa marginalização do restante do país está perto de acabar. Pelo menos financeiramente, porque ideologicamente, está bem longe.

Algo que gosto bastante de fazer, principalmente em sites como Veja e Folha, é ver os comentários extremamente reacionários de seus leitores. Destaquei um comentário da matéria da Folha para análise:

Confesso que tal comentário não me chocou. Antes desse post  infeliz alguns usuários criticavam o governo por conta de bolsas assistencialistas, dizendo que isso não é benéfico pro Brasil e blablabla. Qualquer país que se diz democrático deve investir em programas de distribuição de renda. Países como a França, Espanha, Noruega, Estados Unidos e outras tantas potências que gostamos de usar como exemplo de Estado com E maiúsculo utilizam do recurso de bolsas sociais para sua população. Não se constrói um país forte se não dermos oportunidades. Eu já acreditei muito fortemente que as bolsas sociais eram algo nocivo, mas após bolsa isso, bolsa aquilo compreendi que existe sim a necessidade do governo distribuir renda. Isso fortalece a economia de maneira assustadora. Todos gostam de criticar o governo por dar dinheiro aos mais pobres, mas todos agradecem enormemente quando tal dinheiro dado aos necessitados se converte em compras em seus estabelecimentos.  Concordo que é necessário um maior investimento em educação e que não se vive de bolsa. Os programas sociais vão muito além de dar dinheiro por dar dinheiro. Existe uma estrutura muito maior, mas preferimos atacar e reclamar que meu dinheiro está indo para um bando de vagabundos. Esse é o pensamento do brasileiro-classe-média-neo-elitista. Esquece-se que Brasil não seria hoje destaque mundial se não tivessemos políticas voltadas ao social. E esquecem que não existem milagres. Tudo é muito lento. Não podemos acordar um belo dia e todos os problemas estão resolvidos. Economia é algo amplo demais para termos visão tão simplista.

Voltando ao comentário em destaque, reafirmo que isso não me choca nem um pouco. Conheço muitos (grifa-se o muitos) moradores do Rio, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e outras regiões historicamente mais desenvolvidas que acreditam que o êxodo de nordestinos para suas terras são mazelas, como se nascer fosse uma prisão e o país não necessitasse de sua harmonia de estados para sobrevivência. Já muito paulista afirmando que nordestino sai da pobreza para roubar os empregos do sul. Pois bem, se não fossem os emigrantes nossos estados mais desenvolvidos hoje não seriam o que são. Não existe um brasileiro hoje que não tenha qualquer vínculo com o Nordeste. E uma triste notícia para todos: o Brasil ainda é um país livre e todos os seus habitantes tem o direito de ir e vir, constituir suas vidas onde bem entenderem. Se você pode desfilar com seu lindo carro pelas engarrafadas avenidas de sua cidade, tenha certeza que pelo menos um “indesejado nordestino” colocou as mãos nele para sua produção.

Existem aqueles mais puristas, que beiram o neo-nazismo, que alegam que os nordestinos deveriam voltar a sua terra natal, como no comentário destacado. São Paulo Para Os Paulistanos, por exemplo, é um desses movimentos que ganham força. Existem ainda aqueles que acham justo desmembrar esse ou aquele estado do resto do país e ainda alegam com um sorriso “quero ver o Brasil se virar sem isso aqui”. Péssima notícia, meu caro: eu quero ver o Brasil se virar sem o Nordeste. Hoje o Nordeste é a região que impulsiona o crescimento do Brasil e se você tem o que comer dentro de casa agradeça a tal parte do país. Um estado como São Paulo ou Rio Grande do Sul, onde esses movimentos separatistas são mais evidentes, jamais sobreviveriam ao baque de serem desmembrados.  Existe sim a necessidade simbiótica de todos os estados da federação. Não se pode pensar hoje no Brasil e suas complexas formas com um estado a menos. Da cama que você dorme ao champagne que você toma no alto de seu pedantismo existem 26 estados e um distrito federal agindo fortemente. O que seria do seu churrasco do fim de semana sem o Mato Grosso do Sul, ou seu cafezinho sem o açúcar Alagoano e os grãos de café de Minas e Espirito Santo? E poderia passar o dia mostrando como nenhum estado brasileiro é auto-sustentavel em absolutamente nada e dependemos sim do amiguinho para não passar fome.

O mais engraçado nisso tudo é que acha-se um absurdo um nordestino chegando em São Paulo, por exemplo, mas é louvável um português oferecendo sub-empregos a brasileiros dentro do Brasil. Ninguém se opõe a chegada de mais e mais chineses abrindo lavanderias e pastelarias. Mas ao estrangeiro tudo, ao próprio brasileiro nada. Abrimos nossas casas aos estrangeirismos, mas açoitamos nossos conterrâneos como cães sarnentos. Só queria uma explicação lógica para isso.

Ainda acho que esse levante de preconceito a quem é tão brasileiro quanto eu e você é o recalque. Puro e sincero recalque de quem sempre teve tudo, todas as oportunidades e acha que o mundo funciona da maneira em que foi criado e ignora que a vida nem sempre é justa e algumas pessoas precisam sim de auxílio para igualdade, e obviamente a igualdade destronará a superioridade daqueles que sempre tiveram a vida fácil demais. Ah, se ele pode se dar bem, eu tenho que me dar bem também. Não somos um país igual? Então! Opa, eu tenho que me dar mal por que fulano tá se dando mal? Que absurdo! Não pode ser assim!

Ai ai, Brasil…

Sou de criação evangélica, toda minha família é batista e tenho um primo teólogo, pastor, formado e doutrinado pela fé cristã batista. Curiosamente, sou gay (se vocês ainda não perceberam). A igreja não me permite manifestar minha fé e meu amor ao mesmo tempo, tão logo, manifesto minha fé de outras maneiras, baseado naquilo que acredito. E acredito, muito fortemente, que Jesus Cristo era um cara bem legal e veio a Terra pra dar tapa na cara da sociedade hipócrita que existia na época. Bem parecida com a que temos hoje. A diferença é que a lucratividade na época era com o próprio Cara lá de cima, e não com o Filho Dele. Ele veio a Terra, nos ensinou um monte de coisas e, em geral, a galera não se esforçou a aprender as suas maiores lições: amor e verdade. Para aqueles que acreditam na Bíblia, como os 15% de evangélicos que existem nesta pátria mãe gentil, esses ensinamentos deveriam se tornar uma constante. Mas não é bem assim que a banda toca.

Evangélicos até bem pouco tempo eram uma minoria da população. Ou melhor, continuam sendo, afinal, 15% não denotam uma maioria. Porém, há uns vinte ou trinta anos esse contingente era ainda menor. Com uma sociedade mais voraz, a religião se tornou uma excelente válvula de escape para muitos aflitos. Algo que se diz sempre em igrejas evangélicas é “todo crente é ex-alguma coisa”. E pode observar. É uma verdade. Todo evangélico é ex-alguma coisa. Ex-drogado, ex-bandido, ex-bígamo, ex-enfermo… A religião (incluo todas aqui, não apenas as igrejas evangélicas) funciona como um alento a um coração ferido. Lá ele sempre vai encontrar perdão àquilo que seu super-ego julga ser absolutamente cruel. É uma never ending terapia, sem a supervisão de especialistas e médicos. Os tarjas pretas são substituídos pelas capas pretas dos livros sagrados (bíblia, torá, corão, etc). É teoricamente mais barato e dura toda uma vida, com promessa de alta do tratamento após a morte. E se você pensar, em qualquer momento, abandonar o tratamento, prepare-se para todo o terror psicológico. Eu conheço bem como tudo isso funciona. Não precisa vir aqui me explicar.

Com o crescimento das igrejas e como os fiéis levam a sério a questão de FIEL, a fidelidade fica até na hora do voto e temos hoje 72 deputados federais que compõem a “frente parlamentar evangélica”, que não tem nenhuma ideologia política, apenas religiosa. São deputados de diversos partidos, esquerda, direita, centro, situação, oposição… Todos unidos por um único motivo: o amor de cristo. Vamos a parte que nos cabe nesse latifúndio: partindo da ideia que Jesus é verdade e amor, tão logo, os cristãos deste país deveriam prezar por esses sentimentos. E não é bem isso que tem acontecido por aí. Em meio a tudo aquilo que aconteceu ontem, com a bancada evangélica fazendo chantagem (que eu não sei se é pecado ou não, mas certamente é crime) tanto com ruralistas, quanto com a Presidenta Dilma, foi apresentado o material didático para o kit anti-homofobia, que automaticamente foi descartado e derrubado pela presidenta. Pois bem, agora vem o momento em que deveriamos aplicar o que diz João 8:44, onde aprendemos que o diabo é o pai da mentira. O kit apresentado pela bancada, liderada pelo senhor Anthony Garotinho (aquele que tem um monte de processos nas costas), era FALSO. Utilizaram o material de prevenção a DSTs destinado a transexuais e travestis como se fosse o kit-anti-homofobia que seria distribuído nas escolas. Criaram um factóide para prejudicar uma população que já é massacrada todos os dias. Lógico que a presidenta não é inocente na história, afinal, ela aceitou as condições da bancada como moeda de troca pelo fim do buzz que acontecia.

Aí paramos pra pensar: onde está a ética e inclusive tudo aquilo que foi ensinado na bíblia a essa gente quando estamos tratando de quebrar as barreiras do preconceito e tornando a sociedade algo mais igualitário? Em discurso liderado pelo tucano João Campos, a bancada afirmou defender os interesses de 50 milhões de brasileiros (correção ao deputado, 15% de 200 milhões = 30 milhões) e que uma minoria não poderia se sobressair sobre uma maioria. Ok, e os outros 150 milhões de brasileiros? Como ficam? Sem representação? A maioria não tem direito representatividade para a bancada? Não é do interesse dos deputados abrir o diálogo e ver aquilo que é interessante para toda a nação, sem esquecer de dar atenção às minorias como negros, mulheres, religiosos obviamente, LGBTs, deficientes e tantas outras que se misturam e formam a cultura brasileira? Ou será que a eleição só é válida para atender ao Senhor? Não seria mais fácil, então, continuar na Igreja e pregando o evangelho?

Um questionamento muito forte que tenho a todas as religiões e seus líderes religiosos: vocês sabem a origem do dinheiro de vocês? Podem comprovar a origem lícita de cada doação? Todas as igrejas, templos e outras denominações devem sim pagar impostos, como qualquer outro estabelecimento (uma vez que centros religiosos têm renda e empregam muita gente) e listar o CPF/CNPJ de seus colaboradores. Muitas igrejas são utilizadas hoje pelo tráfico para lavagem de dinheiro. Perceba que não estou falando de todas. Existem sim igrejas que são financiadas pelo tráfico. E enquanto a gente não criar mecanismos pra impedir o avanço do tráfico de nada adianta fazer campanha bonitinha. Você sabia que com pouco mais de 400 reais você abre uma igreja em cinco dias? Deus demorou seis dias pra construir o mundo. Você só precisa de cinco pra construir a sua igreja! Totalmente livre de impostos satânicos como IOF, IPTU, ITR, IPVA, ISS, Imposto de Renda e ICMS. Para a criação da igreja, você sequer precisa estudar história ou teologia, nem ter seguidores. Basta registrar uma assembléia de fundação e o estatuto social em um cartório e pagar as taxas que contabilizam o astronômico valor de R$418,42. E o governo não pode lhe negar esse “benefício”. O primeiro parágrafo do artigo 44 do Código Civil é bastante claro no que se refere a isso: “São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das organizações religiosas, sendo vedado ao poder público negar-lhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento“. E há pastor que diga que os homossexuais querem se tornar “uma raça superior”. Eu não tenho essas vantagens por amar outro homem. Pelo contrário. Só tenho prejuízo. Não tenho os mesmos direitos e muito menos essa facilidade ao abrir uma micro-empresa.

Acho curiosa a questão do porquê as igrejas gostarem tanto de agredir os homossexuais. Com tanta coisa acontecendo no mundo, transar com alguém do mesmo sexo é a maior mácula da humanidade? Se estamos falando em preservação da família, porque os nobres senhores deputados e os nobres senhores líderes religiosos não passam a utilizar o tempo e dinheiro que lhes são empregados no combate a violência doméstica, ou as drogas que desestruturam tantas famílias, ou até mesmo um pedido a todos os fiéis que doem órgãos e sangue para ajudar a família do próximo, ou quem sabe ainda pedir CPI (já que a galera gosta disso) das fronteiras, para saber de onde e como tanta droga e arma entra nesse país. Brigar na câmara por mais saúde e melhor educação, ampliação dos sistemas de ensino superior. Poderia passar um bom tempo dando sugestões do que fazer em favor da família, já que a intenção central da bancada evangélica é “proteger a família brasileira”. Mas automaticamente lembro que isso não seria tão interessante, pq uma vez que resolvemos educação, saúde, violência, trafico, problemas sociais, todos aqueles “ex-alguma coisa” que citei lá em cima deixariam de existir. Taí, prejuízo a longo prazo. Melhor nem tocar nesses assuntos.

Sou eleitor da Presidenta Dilma. Tenho bastante orgulho de ter transformado uma torturada pela ditadura militar na primeira presidenta do Brasil. Foi bonito ver a história se construindo e ver como o retrocesso filosófico representado por José Serra caiu por terra. Votei em Dilma, primeiramente, por ela representar a continuidade de um projeto que estava (e está) dando certo. O Brasil melhorou – e muito – nos últimos oito anos. Não adianta bater na tecla de “mas o governo é corrupto”, por que o governo FHC, Itamar, Collor, Sarney etc também sofreram seus duros golpes de maracutaia. Não seria o governo petista que passaria incólume a esse momento desagradável para a democracia. Reconheço o trabalho do governo Lula, continuado por Dilma. Não poderia ser egoísta e votar unicamente pensando nos meus interesses. Sei o quanto é importante para tantos as evoluções que tivemos e isso me faz muito orgulhoso de ter votado em Dilma Vana Rousseff. Duas vezes.

Óbvio que política é a arte de fazer alianças e ceder quando necessário. Não se governa sozinho e a campanha presidencial de 2010 foi uma das mais sujas de todas. Quando temos como tema principal durante a campanha a legalização do aborto (ou sua descriminalização) e o principal cabo eleitoral se torna Deus, alguma acontece no coração desse lindo Estado que se diz laico. Pois bem. Os dois candidatos assinaram acordos com evangélicos, católicos, espíritas, judeus blablabla de religiões e todo mundo firmou aquela amizade bonita. Quem tem o mínimo de visão sabia, de longe, que isso não daria muito certo.

Voltemos para 2011 (o ano que a Terra parou). Em menos de vinte e quatro horas tivemos dois episódios deprimentes em Brasilia: primeiro a bancada evangélica (ou “frente parlamentar evangélica”, como se auto-intitulam) decidiu fazer um acordo com a bancada ruralista na câmara dos deputados para, quem sabe assim, conseguirem a derrubada da PLC 122 (criminalização da homofobia). Resultado favorável aos ruralistas, todos aqueles que cometeram crimes ambientais serão anistiados e uma série de reformas questionaveis numa sociedade que cada vez mais busca a sustentabilidade foram aprovadas. One step back. Ou seja: 72 deputados, para manter o discurso deturpado sobre a PLC 122, reclamando a liberdade de expressão, como se o texto não tivesse sido revisitado propondo alterações favoráveis ao fundamentalismo cristão, decidiram que era hora que é queima de estoque de florestas e mananciais. BORA GASTAIRE GALERA! Ando sonhando com o dia que a Ricardo Eletro vá fazer uma liquidação de bom senso pra ver se essa gente compra algum. Vender o país em nome da fé. Great!

Em seguida, em meio a ressaca da porrada que o governo federal (contrário a reforma florestal), alguns deputados aproveitaram a fragilidade que vive o Governo Federal nas últimas semanas para chantagear a Presidenta Dilma. Ou ela boicotava o kit anti-homofobia*, ou a câmara dos deputados convocaria uma CPI para investigar o enriquecimento de Antônio Palocci, ministro da Casa Civil. Observem o grau de gravidade disso:

1) Palocci pode ter envolvimento com algo ilícito, porém nada ainda foi provado. Por mais que existam motivos para desconfiança, ninguém se pronunciou. Nem mesmo o governo, que erroneamente está se blindando para encobrir o caso e proteger a imagem. O mais certo seria um pronunciamento oficial sobre o caso. Porém, nada disso foi feito;

2) A bancada evangélica, que prega a moral e os bons costumes na terra, abre mão de investigar um suposto roubo (lembrando que “não roubarás” é um dos 10 mandamentos) em prol de manter milhares de homossexuais e transgêneros sofrendo bullying nas escolas;

3) Torna-se preferivel atender as chantagens de um grupo representante de uma minoria (porém barulhenta) face a omissão de uma investigação necessária para acalmar os nervos da população;

4) Ou seja, só se trabalha em prol do país, visando questões vitais como meio ambiente e contas públicas, quando temos o artifício da chantagem e da troca de favores. Se for pra ser assim, vamos dissolver a câmara e instituir um regime teocentrista como acontece no Oriente Médio;

4) Ir em desacordo com um material desenvolvido e aprovado com ajuda da UNESCO em prol dos direitos humanos é absolutamente normal. Ruim é ensinar a igualdade nas escolas;

5) Ignorar completamente o discurso de posse e de candidatura, onde os direitos humanos seriam privilegiados.

É algo tão incabível, que eu poderia passar meu dia listando os absurdos. Pois bem, além de tudo isso, uma questão importante a ser levantada é: o Brasil hoje vive uma cruzada anti-bullying. Um trabalho árduo e louvável. Por que a homofobia, uma das formas mais perversas de bullying, não deve ser tratada nas escolas? Tratar da questão da homofobia não exclui o bullying racial, de recorte de gênero, social, físico ou qualquer outro. Apenas complementa. O material desenvolvido pelo MEC, com auxílio de ONGs e orientado e aprovado pela UNESCO, visa a qualificação dos profissionais de ensino público no Brasil. O material é sério e não uma série de filmes pornôs só para baixinhos. É educar primeiramente os professores sobre as questões de sexualidade. Nesse ramo entra muito mais que educação. É algo de saúde pública que está sendo abandonado. Quantos jovens homossexuais e transgêneros se suicidam neste país por não aguentarem a pressão do bullying nas escolas? Você sabia que 90% do público transgênero abandona a escola, o que incide diretamente na prostituição (muitas vezes, infantil)? O intuito do kit-anti-homofobia não é aliciar menores ou fazer apologia a homossexualidade. É uma muleta aos profissionais para termos uma educação mais igualitária e social. O material foi desenvolvido para o ensino médio, o antigo segundo-grau. Não para crianças. Estamos falando de/com uma geração extremamente sexualizada desde muito cedo e essa geração deve saber com clareza sobre sexo, não importante sua orientação sexual. Concordo que os vídeos são péssimos. As produções são precárias (salvo o filme lésbico, que achei sutil, delicado e pontual). Não gosto dos roteiros e da estética. Não pela agressividade ou ousadia. Por achar que infantiliza, no sentido de tornar débil, uma questão que é mais madura e voltada a uma outra idade. Porém esses vídeos produzidos pelas ONGs a pedido do MEC não são para exibição para crianças de sete anos de idade. São mais uma muleta ao professor. Em caso de algum incidente de homofobia, temos um material a ser trabalhado.

Caso a Presidenta falasse para rever algum ponto do material que ela estaria em desacordo, como pronunciaram sobre seu futuro veto a reforma do código florestal, eu concordaria. Deve existir debate. Tanto na agenda ambientalista quanto dos direitos humanos. Mas utilizar gente como moeda de troca de favores? Não, né Presidenta? Por favor, me faça continuar orgulhoso do meu voto.

* Para entender melhor sobre o kit anti-homofobia, colo aqui a explicação da Carta Capital sobre o assunto, colocando meus comentários em cinza nos parenteses ao lado:

Destinado ao Ensino Médio, (ou seja, não estamos tratando de crianças, mas de adolescentes com mais de 14 anos) o kit é composto de caderno, pôster, carta ao gestor da escola, seis boletins (boleshs) e cinco vídeos. “É um material para a promoção dos direitos humanos, com o objetivo de fazer da escola um espaço de todas as pessoas, onde se possa aprender a conviver com a diversidade”, justifica Maria Helena Franco, uma das coordenadoras de criação do kit de material educativo. Considerado peça-chave do kit, o caderno é um livro de 165 páginas, no qual o educador (vale repetir: o educador, não o aluno) encontra referências teóricas, conceitos e sugestões de atividades e oficinas para se trabalhar o tema da diversidade sexual nas escolas. “O caderno ensina como fazer um projeto político-pedagógico a ser assumido pela escola como um todo sobre esse enfrentamento da violência homofóbica”, conta Maria Helena. Escritos em linguagem jovem e acessível, os boletins seriam distribuídos entre os estudantes e também tratam da temática da diversidade sexual, com jogos, depoimentos e sugestões de filmes (ou seja, atividades escolares, como temos atividades que tangem ao racismo, a misoginia, a intolerância religiosa e tantos outros temas).

Entretanto, o objeto de maior polêmica é a parte audiovisual do kit, que inclui três pequenos vídeos produzidos especialmente pela ONG Ecos, que trabalha com o tema desde 1989. Produzidos com diferentes estéticas – teledramaturgia tradicional, animação de fotos e desenhos – os vídeos abordam de forma coloquial temas específicos como lesbianidade, transexualidade e bissexualidade. “São temas muito estigmatizados e pouco compreendidos”, explica Vera Lúcia Simonetti Racy, uma das coordenadoras da criação do kit do material educativo.

Criado por uma equipe multidisciplinar, o kit completo levou cerca de dois anos para ser pesquisado, construído e validado. Apenas o roteiro de um dos filmes, sobre o namoro de duas meninas, demorou oito meses para ser aprovado.

Ousada e polêmica, a proposta do material educativo atende a uma demanda das entidades que lutam pelos direitos LGBTs e também dos educadores – que não encontravam subsídios para trabalhar o tema em aula – além de estar articulada com políticas públicas de combate à homofobia de maneira geral. “O que a gente quer é que o professor esteja atento a essa situação de homofobia. A escola precisa ser um espaço de respeito e de formação cidadã.”, conclui Carlos Laudari, presidente da ONG Pathfinder.

Olá lindas e lindos, hoje vou ensinar em poucas lições como redigir um texto sem ofender a comunidade LGBT e explicar o porque do uso destes termos. O objetivo desse post não é, em absoluto, ofender a classe jornalistica, mas elucidar algumas questões que ficam pendentes sobre os termos a serem utilizados. Assim como negros, judeus, mulheres e outras minorias pedem alterações de alguns termos para se sentirem contemplados (e hoje muitos deles foram aderidos), com o debate sobre os direitos LGBTs em polvorosa achei interessante pôr em pratos limpos algumas expressões para que nossos textos sejam mais coerentes com todos.

ORIENTAÇÃO SEXUAL, POR FAVOR.

Lindos, nunca usem o termo “opção sexual“. Ofende profundamente o movimento LGBT. Uma vez que não fazemos escolhas sobre nosso desejo sexual (ou alguém se lembra quando escolheu ser hetero?), o termo “opção” torna-se pejorativo quando falamos sobre lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros. O termo correto para falar sobre sexualidade é “orientação sexual”, uma vez que desejo sexual nos orienta a essa ou aquela forma.

LGBT IS THE NEW GLS

Algumas pessoas ainda usam o termo “GLS”, datado da década de 70, quando não existia um questionamento mais profundo sobre os direitos homoafetivos. O termo LGBT contempla lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros. Outros preferem utilizar LGBTT para dar voz a travestis e transexuais separadamente e não @s aglomerando num grupo “transgênero”. A ordem L-G-B-T é em respeito ao movimento feminista, uma das bases do movimento LGBT, portanto, além de homenagear as mulheres que lutaram pelos seus direitos, a sigla L vem a frente por questões de visibilidade lésbica. E lembre-se: GLS pode ser usada apenas para fins comerciais, como lojas, hotéis, boates, bares e clubes chamados “gay friendly”. Em geral o termo tem caído em desuso, mas sua conotação hoje é muito mais comercial do que política.

HOMOSSEXUALIDADE SIM, HOMOSSEXUALISMO NUNCA.

Judeus lutaram por muito tempo para o desuso da palavra “judiar”, que era algo que tornava ofensivo para os praticantes de tal religião. O mesmo se aplica a expressão “homossexualismo”, que remete coisas terríveis aos LGBTs. O termo “homossexualismo” foi criado durante o nazismo para denotar que o comportamento pederasta era uma doença. Em 1990, quando a OMS retirou a homoafetividade do seu catálogo de doenças, entendendo que é uma expressão da sexualidade, passou-se a usar o termo “homossexualidade”, uma vez que todo ser humano tem uma sexualidade, sendo ela homo, hetero, bi, pan ou assexuada. Então, em respeito a todos os homossexuais que sofreram por conta do nazismo, abortou-se o sufixo “ismo” e adotou-se “homossexualidade”, ou “homoafetividade”, ou em outros casos, “homoerótico”.

TRAVESTIS E TRANSEXUAIS NÃO SÃO HOMOSSEXUAIS

Essa parte parece complicada, mas não é. A sexualidade humana não é dada pelo sexo biológico (aquele que você nasceu), mas pela identidade de gênero (como você se identifica sexualmente). Ou seja, se você nasceu homem, se identifica como homem e tem atração por mulheres, você é heterossexual. Se você é mulher, se identifica como mulher, mas sente atração sexual por outras mulheres, você é homossexual. No caso de uma travesti que nasceu homem, mas se identifica como mulher e tem atração por homens ela é considerada heterossexual. Como a identificação dela é feminina, então ela é hetero. Inclusive se você conversar com muitas travestis, elas não se identificam como gays, simplesmente por que não são. São mulheres que nasceram em corpos masculinos. Porém, se a travesti (nascida homem e com identidade de gênero feminina) se envolve afetivo/sexualmente com outra travesti ou uma mulher, aí sim ela é homossexual. Pode parecer impossível, mas sim, existem travestis e transexuais homossexuais.

O TRAVESTI E A TRAVESTI SÃO BEM DIFERENTES

Um ponto que fere profundamente o movimento transgenero é a questão do recorte de gênero, como elas e eles são tratad@s. Bem, se é uma travesti/transexual MTF (male to female, ou seja, nasceu homem e identifica-se como mulher), sempre a trataremos no feminino. A travesti Luisa Marilac, por exemplo. Ou a transexual Ariadna Arantes (para citar as mais recentes). Utilizamos o gênero masculino em casos de transgeneros FTM (female to male, tão logo, mulheres que se identificam como homens), como por exemplo o filho da cantora Cher. Por uma questão, primeiramente, de respeito, devemos utilizar o tratamento correto. É agressivo demais a uma travesti ser chamada pelo nome de registro e ser tratada o tempo todo no masculino. Causa constrangimento e tristeza.

HERMAFRODITAS NÃO EXISTEM

Muita gente exemplifica Roberta Close como hermafrodita. Péssima notícia: não existem hermafroditas na espécie humana. Para um animal ser considerado hermafrodita deve ter em sua estrutura tanto o sistema reprodutivo feminino quanto masculino. Exemplo disso são as minhocas. O mesmo se aplicaria a espécie humana. Até hoje não foi registrado nenhum caso parecido na literatura médica. O que existe em nossa espécie é a “intersexualidade”, ou seja, pessoas que nascem com os dois sexos, mas sem a capacidade reprodutiva de ambos. Normalmente são crianças com um micro-pênis e uma vulva formada. Porém não podemos determinar na hora do parto se é evidentemente um homem ou uma mulher, e registra-se a criança com um dos dois sexos e num futuro descobre-se, como no caso de Roberta Close, que houve um erro. A estrutura física, psicológica e emocional é toda voltada pro feminino e seu registo é masculino. Além disso, o micro-pênis (que em muitas vezes não é capaz de ficar ereto, devido aos hormonios femininos) incomoda profundamente a intersexual.

TRAVESTI É UMA COISA, TRANSEXUAL É OUTRA

Travestis e transexuais são diferentes. Travestis e transexuais têm em comum a inversão de identidade de gênero (sentem-se como o sexo oposto), mas apenas as transexuais tem ojeriza ao próprio órgão genital ou sofrem do distúrbio de identidade de gênero. Em geral as transexuais tem um processo de aceitação interna muito mais doloroso e para isso enfrentam todo o processo da mudança de sexo. As transexuais podem realizar a vaginoplastia para acabar com o pesadelo do corpo errado, enquanto as travestis não sentem-se incomodadas com o sexo que nasceram. Por conta dos problemas de aceitação, muitas transexuais cometem suicídio por se sentirem aprisionadas num corpo que não as pertence. A cirurgia de mudança de sexo feminino para masculino ainda é bastante experimental e de efeito meramente estético, enquanto a transexualização masculina para feminina é um procedimento relativamente comum e mantém estrutura complexa para que a transexual tenha prazer em suas relações futuras. Como qualquer outra cirurgia podem haver falhas e a operada não sentir mais prazer com a penetração, mas não é uma regra. Muitas transexuais sentem muito mais prazer após a cirurgia.

A PALAVRA É: HOMOFOBIA

A palavra está na moda, mas muita gente não sabe exatamente o que significa. Identifica-se como homofobia o tratamento hostil, agressivo, chulo, discriminatório, preconceituoso, antipático e/ou aversivo a homossexuais, bissexuais e transgêneros (esses, em alguns casos, pedindo o uso do termo transfobia, por não se sentirem contempladas no termo homofobia, como expliquei lá em cima sobre a identidade de gênero trans). Em suma, é o mesmo que o racismo, porém com LGBTs. Por isso o apelo ao fim da homofobia no Brasil e a aprovação de leis, como aquelas criadas em prol dos negros, para criminalização da homofobia. No Brasil a cada dois dias um homossexual é assassinado. Segundo levantamento feito em abril de 2011, 60% das empresas não gostariam de ter funcionários homossexuais em seu quadro. Em escolas de todo o país, mais da metade dos alunos dizem-se não ser favoravel a homossexuais e transgêneros dentro de salas de aulas. No Brasil mais de 90% dos transgêneros evadem das escolas por conta da transfobia. A homofobia, assim como o racismo, é uma forma de bullying ainda muito recorrente no Brasil. Não é considerado homofobia a pregação religiosa sobre a homossexualidade que algumas religiões praticam, porém, caso o discurso tenha cunho agressivo e incitação a violência, pode-se considerar homofobia. O projeto de lei complementar que criminaliza a homofobia no Brasil (PL 122), prevê que agressores de homossexuais poderão ser presos com penas de até 5 anos. O mesmo projeto de lei, revisitado recentemente, deixa bem claro que a liberdade religiosa não poderá ser afetada mediante tal projeto de lei.

Espero ter contribuído com todos para revisões e esclarecimentos. Acredito que muitos redatores e jornalistas usam os termos errados não por preconceito, mas por pura falta de conhecimento no assunto. Não é má vontade. É pura desorganização do movimento LGBT em deixar claras as questões que nos atingem. Qualquer dúvida, podem deixar comentários que vou atualizando o post. :)

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